Terapia Nutricional Perioperatória: Quando Iniciar e Evitar

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2022

Enunciado

Considerando-se o adequado manejo da Terapia Nutricional no perioperatório, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Deve-se aguardar 7 a 10 dias para liberação de dieta enteral em pacientes submetidos a gastrectomia total, estando os pacientes estáveis hemodinamicamente.
  2. B) Não é recomendada a liberação de dieta enteral em pacientes instáveis hemodinamicamente, em uso de drogas vasoativas em doses altas.
  3. C) Terapia nutricional no pré-operatório de cirurgias para o tratamento de neoplasias malignas do trato digestivo devem ser proscritas devido ao risco de obstrução intestinal.
  4. D) O paciente deve ficar em jejum de líquidos claros, no pré-operatório, por 12 horas antes do procedimento.
  5. E) Deve-se sempre priorizar a via parenteral devido ao elevado risco da Síndrome de Realimentação inerente à via oral.

Pérola Clínica

Paciente instável hemodinamicamente ou em altas doses de vasopressores → contraindicação à dieta enteral.

Resumo-Chave

A instabilidade hemodinâmica e o uso de altas doses de drogas vasoativas são contraindicações para o início da terapia nutricional enteral, devido ao risco de isquemia mesentérica e outras complicações graves.

Contexto Educacional

A terapia nutricional perioperatória é um pilar fundamental no manejo de pacientes cirúrgicos, visando otimizar o estado nutricional, reduzir complicações e acelerar a recuperação. Sua importância é reconhecida em diversas diretrizes, como os protocolos ERAS (Enhanced Recovery After Surgery), que preconizam a nutrição precoce. A prevalência de desnutrição em pacientes cirúrgicos é alta, impactando negativamente os resultados pós-operatórios. A fisiopatologia da desnutrição no perioperatório envolve o estresse cirúrgico, o jejum prolongado e a resposta inflamatória. O diagnóstico do estado nutricional é crucial para definir a melhor abordagem. A nutrição enteral é a via preferential sempre que o trato gastrointestinal estiver funcionante, pois mantém a integridade da barreira intestinal e modula a resposta inflamatória. No entanto, a instabilidade hemodinâmica, caracterizada por hipotensão e uso de altas doses de drogas vasoativas, é uma contraindicação formal à nutrição enteral devido ao risco de isquemia mesentérica. O tratamento nutricional deve ser individualizado. No pré-operatório, a otimização nutricional pode ser indicada para pacientes desnutridos. No pós-operatório, a nutrição enteral precoce é encorajada, mas com cautela em pacientes críticos. A nutrição parenteral é reservada para quando a via enteral é inviável ou insuficiente. O prognóstico é melhor em pacientes bem nutridos, com menor incidência de infecções, deiscências e tempo de internação.

Perguntas Frequentes

Por que a dieta enteral é contraindicada em pacientes instáveis hemodinamicamente?

Em pacientes instáveis hemodinamicamente, há uma redistribuição do fluxo sanguíneo para órgãos vitais, comprometendo a perfusão esplâncnica. A dieta enteral nessas condições aumenta o risco de isquemia mesentérica, necrose intestinal e translocação bacteriana.

Qual o tempo ideal de jejum pré-operatório para líquidos claros?

As diretrizes atuais recomendam um jejum de 2 horas para líquidos claros e 6 horas para alimentos sólidos antes de procedimentos cirúrgicos eletivos, visando reduzir o risco de aspiração pulmonar sem prolongar o jejum desnecessariamente.

Quando a nutrição parenteral é preferível à enteral no perioperatório?

A nutrição parenteral é preferível quando a via enteral está contraindicada (ex: instabilidade hemodinâmica, obstrução intestinal, fístulas de alto débito) ou não é possível atingir as metas nutricionais pela via enteral por um período prolongado (geralmente > 7 dias).

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