Pancreatite Aguda: Guia de Terapia Nutricional

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2015

Enunciado

A pancreatite aguda grave determina aumento da resposta metabólica e inflamatória e do catabolismo. A resultante desse processo é uma deterioração do estado nutricional e grande consumo de massa magra. Quanto à terapia nutricional na pancreatite aguda, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) Em pancreatite aguda leve, a terapia nutricional deve ser iniciada sempre que não houver possibilidade do paciente receber alimentos por via oral e, em pancreatite aguda grave, pode ser iniciada assim que houver estabilidade hemodinâmica
  2. B) A nutrição parenteral está indicada apenas naqueles pacientes incapazes de atingir os seus requerimentos nutricionais pela via enteral, por falência intestinal ou em situações como íleo prolongado, fístula pancreática e síndrome compartimental abdominal
  3. C) Na pancreatite aguda grave, a via de preferência deve ser a enteral, todavia a terapia nutricional só deverá ser iniciada após o posicionamento nasojejunal da sonda, normalmente realizado por endoscopista
  4. D) Quando a terapia nutricional parenteral está indicada, a suplementação de glutamina deve ser feita na dosagem superior a 1,2 g/kg de peso

Pérola Clínica

Pancreatite aguda grave: nutrição enteral preferencial, parenteral apenas se falha enteral ou contraindicações específicas.

Resumo-Chave

Na pancreatite aguda grave, a via enteral é a preferencial, devendo ser iniciada precocemente. A nutrição parenteral é reservada para casos de falha da via enteral ou contraindicações absolutas, como íleo prolongado ou fístulas de alto débito.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave do pâncreas, com um espectro de gravidade que varia de leve a grave, podendo levar a falência de múltiplos órgãos. A resposta inflamatória sistêmica e o catabolismo acentuado exigem um suporte nutricional adequado para prevenir a desnutrição e suas complicações, sendo um pilar fundamental no manejo desses pacientes. A terapia nutricional na pancreatite aguda grave visa atenuar o catabolismo e preservar a massa magra. A via enteral é a preferencial, pois mantém a integridade da barreira intestinal, reduz a translocação bacteriana e tem menor custo e risco de complicações em comparação com a via parenteral. Deve ser iniciada precocemente, geralmente nas primeiras 24-48 horas, assim que o paciente estiver hemodinamicamente estável e sem íleo paralítico grave. A nutrição parenteral total (NPT) é reservada para situações em que a via enteral é contraindicada ou não é tolerada, como em casos de íleo prolongado, fístulas de alto débito, isquemia intestinal ou síndrome compartimental abdominal. A suplementação de glutamina, embora estudada, não tem indicação universal e doses elevadas podem ser prejudiciais em pacientes críticos. O manejo nutricional deve ser individualizado, visando otimizar a recuperação e reduzir a morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Qual a via preferencial de terapia nutricional na pancreatite aguda grave?

A via preferencial é a enteral, devendo ser iniciada precocemente, assim que houver estabilidade hemodinâmica.

Quando a nutrição parenteral está indicada na pancreatite aguda?

A nutrição parenteral é indicada apenas quando a via enteral não é possível ou falha em atingir os requerimentos, como em casos de íleo prolongado, fístula pancreática ou síndrome compartimental abdominal.

A suplementação de glutamina é recomendada na pancreatite aguda grave?

A suplementação de glutamina em doses elevadas (>1,2 g/kg) não é rotineiramente recomendada e pode até ser prejudicial em pacientes críticos.

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