Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Paciente de 40 anos de idade foi submetida a tratamento cirúrgico por câncer epitelial de ovário estádio I com histerectomia e anexectomia bilateral. Queixa-se de fortes ondas de calor, insônia e ressecamento vaginal. Sobre a terapia hormonal nesse caso, é correto prescrever?
Câncer epitelial ovário estádio I: TH com estrogênio oral/transdérmico + vaginal pode ser considerada após discussão risco/benefício.
Tradicionalmente, a terapia hormonal (TH) é contraindicada em pacientes com histórico de câncer. No entanto, para mulheres com câncer epitelial de ovário em estágio inicial (estádio I), sem evidência de doença residual e com sintomas climatéricos graves, a TH com estrogênio (oral, transdérmico e/ou vaginal) pode ser considerada após uma avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios, e discussão com a paciente, pois o câncer epitelial de ovário geralmente não é estrogênio-dependente como o câncer de mama.
Mulheres submetidas a ooforectomia bilateral, especialmente em idade pré-menopausa, experimentam menopausa cirúrgica abrupta e sintomas climatéricos intensos, como ondas de calor, insônia e ressecamento vaginal. A terapia hormonal (TH) é o tratamento mais eficaz para esses sintomas, mas seu uso em sobreviventes de câncer é complexo e historicamente controverso. Para o câncer epitelial de ovário, a maioria dos subtipos não é considerada estrogênio-dependente. Em pacientes com câncer epitelial de ovário em estágio inicial (estádio I), que foram submetidas a tratamento cirúrgico completo (histerectomia e anexectomia bilateral) e estão livres de doença, a evidência atual sugere que a TH pode ser considerada para o alívio de sintomas vasomotores e geniturinários graves. Estudos não demonstraram aumento significativo no risco de recorrência ou mortalidade nesses casos. Assim, a conduta mais apropriada para esta paciente, que apresenta sintomas graves e tem um câncer epitelial de ovário em estádio I, seria considerar a prescrição de estrogênio oral ou transdérmico, associado a estrogênio vaginal, após uma discussão detalhada sobre os riscos e benefícios. Hidratantes vaginais sem hormônios são uma opção inicial para sintomas vaginais, mas podem ser insuficientes. A decisão deve ser individualizada e compartilhada com a paciente, considerando sua qualidade de vida e o perfil de risco específico do seu câncer.
Para pacientes com câncer epitelial de ovário em estágio inicial (estádio I), sem doença residual, a terapia hormonal (TH) pode ser considerada para alívio de sintomas climatéricos graves. Estudos sugerem que a TH não aumenta o risco de recorrência ou mortalidade nesses casos, diferentemente do câncer de mama, que é frequentemente estrogênio-dependente.
Para ressecamento vaginal e dispareunia, hidratantes vaginais não hormonais são a primeira linha. No entanto, se os sintomas forem refratários, estrogênio vaginal em baixa dose pode ser considerado, mesmo em pacientes com histórico de câncer de ovário, pois a absorção sistêmica é mínima e o risco é baixo.
A terapia hormonal é geralmente contraindicada em pacientes com cânceres estrogênio-dependentes, como a maioria dos cânceres de mama e alguns tipos de câncer de endométrio. A decisão de prescrever TH em sobreviventes de câncer deve sempre ser individualizada, considerando o tipo e estágio do câncer, o risco de recorrência e a gravidade dos sintomas.
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