Terapia Hormonal e Miomas: Conduta e Segurança na Menopausa

SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2022

Enunciado

O conhecimento de fármacos (hormonioterapia), de suas aplicações e de seus efeitos colaterais é fundamental para o tratamento adequado da maioria das afecções ginecológicas que podem acometer a mulher desde a infância (puberdade precoce) até a senectude. Mulher de 56 anos, menopausada desde os 52, portadora de síndrome varicosa de membros inferiores, vem ao consultório ginecológico, com queixas de irritabilidade, fogachos, ressecamento vaginal e exame complementar indicando osteopenia. Demonstra-se preocupada com a necessidade de realizar terapia hormonal (TH). Após realizar ultrassom transvaginal, a paciente ainda descobriu a presença de pequenos miomas uterinos, demonstrando mais insegurança diante da situação com relação à terapia hormonal. Assinale a alternativa que indica a orientação complementar a essa situação.

Alternativas

  1. A) A TH acarretará aumento dos miomas e do sangramento vaginal.
  2. B) Deve ser proposta outra alternativa terapêutica.
  3. C) A terapia hormonal sob monitorização é possível na presença de miomas.
  4. D) Miomatose uterina é contraindicação de TH.
  5. E) Nesse caso, se for prescrita TH, deve-se administrar estrogênio isolado.

Pérola Clínica

Miomatose uterina ≠ Contraindicação absoluta para TH; monitorização clínica e ultrassonográfica é suficiente.

Resumo-Chave

A presença de miomas não impede a terapia hormonal para alívio de sintomas climatéricos, exigindo apenas vigilância quanto ao crescimento e padrões de sangramento.

Contexto Educacional

A transição para a menopausa é marcada pela queda estrogênica, resultando em sintomas vasomotores (fogachos) e perda de massa óssea (osteopenia/osteoporose). A Terapia Hormonal (TH) é o tratamento mais eficaz para essas queixas. Embora os leiomiomas (miomas) sejam tumores benignos dependentes de estrogênio, as doses utilizadas na reposição hormonal são muito inferiores aos níveis fisiológicos da idade fértil. Na prática clínica, a maioria dos miomas tende a involuir na pós-menopausa. O uso de TH pode, em uma pequena porcentagem de mulheres, manter o tamanho do mioma ou causar um crescimento discreto, mas raramente isso impede a continuidade do tratamento. A decisão deve ser individualizada, priorizando a qualidade de vida da paciente e utilizando a menor dose eficaz de hormônios para o controle sintomático.

Perguntas Frequentes

Mioma é contraindicação para terapia hormonal?

Não. A miomatose uterina é considerada uma contraindicação relativa ou apenas um fator que exige cautela. A maioria das pacientes com miomas pequenos e assintomáticos pode realizar a Terapia Hormonal (TH) com segurança, desde que haja um acompanhamento regular para monitorar o volume uterino e possíveis sintomas compressivos ou hemorrágicos.

Quais são as contraindicações absolutas à TH?

As principais contraindicações absolutas incluem: câncer de mama (atual ou prévio), lesões precursoras de câncer de mama, câncer de endométrio estrogênio-dependente, sangramento vaginal de causa desconhecida, doença hepática grave e ativa, porfiria, lúpus com risco trombótico elevado e eventos tromboembólicos ou coronarianos agudos.

Como monitorar a paciente com mioma em uso de TH?

O acompanhamento deve ser baseado na avaliação clínica rigorosa do padrão de sangramento uterino e na realização periódica de ultrassonografia transvaginal. Se houver crescimento rápido dos miomas ou retorno de sangramentos anormais, a dose da TH deve ser reavaliada ou o tratamento suspenso para investigação adicional.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo