UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021
Mulher, 52a, comparece à Unidade Básica de Saúde com queixa de ondas de calor, dificuldade para dormir e diminuição da libido há 1 ano. Refere que acorda a noite por causa das ondas de calor, com grande impacto na qualidade de vida. Não apresenta antecedentes mórbidos, nega cirurgias prévias e a data da última menstruação foi há 14 meses. Antecedentes familiares: mãe e pai hipertensos e diabéticos. Resultados dos exames: TSH= 3,5 μUI/mL; colesterol total= 158 mg/dL; HDL colesterol= 45 mg/dL; triglicérides= 310 mg/dL, glicemia= 85 mg/dL; Hb= 13,6 g/dL; Ht= 42,1%.A CONDUTA É PRESCREVER:
Menopausa + sintomas vasomotores graves + útero + dislipidemia → TH combinada transdérmica (estradiol) + progestágeno oral.
Em mulheres na menopausa com sintomas vasomotores intensos e útero intacto, a terapia hormonal combinada é indicada. A via transdérmica para o estrogênio é preferível em casos de dislipidemia ou risco cardiovascular, pois não passa pelo metabolismo hepático de primeira passagem, minimizando o impacto nos triglicerídeos.
A menopausa é um período fisiológico na vida da mulher, marcado pelo fim das menstruações e pela cessação da função ovariana, diagnosticada após 12 meses consecutivos de amenorreia. Os sintomas vasomotores, como ondas de calor e suores noturnos, são os mais comuns e podem impactar severamente a qualidade de vida, sono e bem-estar. A terapia hormonal (TH) é o tratamento mais eficaz para esses sintomas, especialmente quando são moderados a graves. A decisão de iniciar a TH deve ser individualizada, considerando a idade da mulher, o tempo desde a menopausa, a intensidade dos sintomas e a presença de fatores de risco ou contraindicações. Para mulheres com útero, a TH deve ser combinada (estrogênio + progestágeno) para proteger o endométrio. A via de administração do estrogênio é crucial: a via oral pode ter efeitos metabólicos hepáticos (aumento de triglicerídeos, fatores de coagulação), enquanto a via transdérmica (adesivos, géis) evita a primeira passagem hepática, sendo mais segura para mulheres com dislipidemia, risco de trombose ou hipertensão. No caso da paciente, 52 anos, menopausada há 14 meses, com sintomas intensos e triglicerídeos elevados, a combinação de estradiol transdérmico e progestágeno oral é a conduta mais adequada. O estradiol transdérmico minimiza o impacto nos triglicerídeos, e o progestágeno protege o endométrio. É fundamental reavaliar periodicamente a necessidade e a segurança da TH, mantendo a menor dose eficaz pelo menor tempo possível.
A TH é indicada para mulheres na menopausa que apresentam sintomas vasomotores moderados a graves (ondas de calor, suores noturnos) que impactam significativamente a qualidade de vida, especialmente se iniciada dentro de 10 anos da menopausa ou antes dos 60 anos.
A via transdérmica é preferível em mulheres com risco cardiovascular, dislipidemia (como triglicerídeos elevados), hipertensão ou risco de trombose, pois evita o metabolismo de primeira passagem hepática, tendo menor impacto nos fatores de coagulação e perfil lipídico.
O progestágeno é essencial para mulheres com útero intacto que fazem uso de estrogênio, pois protege o endométrio contra a hiperplasia e o câncer endometrial, que são riscos aumentados pelo estrogênio isolado.
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