HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024
Mulher de 40 anos de idade, caucasiana, procura atendimento ambulatorial com queixas de sintomas vasomotores que iniciaram há aproximadamente 2 meses. Refere que sua última menstruação ocorreu há 6 meses. Alguns meses após a última menstruação ela preocupou-se com a ausência do fluxo e realizou um teste de BhCG sanguíneo, o qual foi negativo. No histórico médico há registro de que esta paciente é hipertensa crônica, com diagnóstico aos 35 anos, sem fatores de risco aparentes e com investigação para HAS secundária até o momento negativa. Todavia apresenta níveis tensionais de difícil controle. É cronicamente sedentária e tem maus hábitos alimentares. Seus níveis glicêmicos atuais são compatíveis com resistência aumentada à insulina, porém, sem critérios para diagnóstico de diabete. Ao exame físico, os únicos dados positivos foram PA de 160/120, IMC de 29,7, sem outros achados. O médico assistente depara-se com o dilema de prescrever ou não tratamento farmacológico para controle dos sintomas vasomotores da paciente. Dentre as alternativas abaixo, qual relaciona a resposta correta sobre oferecer terapia hormonal ou não, assim como o argumento que justifica a decisão?
TH na menopausa: Hipertensão arterial crônica com mau controle é contraindicação relativa/absoluta para iniciar terapia hormonal.
A decisão de iniciar a terapia hormonal (TH) na menopausa deve ser individualizada, considerando os riscos e benefícios para cada paciente. Hipertensão arterial crônica mal controlada é uma contraindicação importante para a TH, especialmente com estrogênios, devido ao risco de eventos cardiovasculares. O controle da pressão arterial deve ser priorizado antes de considerar a TH.
A menopausa é um marco fisiológico na vida da mulher, caracterizado pelo fim da menstruação e da função ovariana, geralmente ocorrendo por volta dos 50 anos. Os sintomas vasomotores, como ondas de calor e suores noturnos, são os mais comuns e podem impactar significativamente a qualidade de vida. A terapia hormonal (TH) é o tratamento mais eficaz para esses sintomas, mas sua indicação deve ser cuidadosamente avaliada. A fisiopatologia dos sintomas menopáusicos está ligada à deficiência estrogênica. A decisão de iniciar a TH envolve uma análise individualizada dos riscos e benefícios, considerando a idade da paciente, o tempo desde a menopausa e a presença de comorbidades. A 'janela de oportunidade' para a TH é geralmente nos primeiros 10 anos pós-menopausa ou antes dos 60 anos, com menor risco. No caso de pacientes com hipertensão arterial crônica, especialmente se mal controlada, a TH é contraindicada ou deve ser postergada até o controle adequado da pressão. O estrogênio pode ter efeitos variáveis na pressão arterial e no sistema cardiovascular, e em pacientes de alto risco, os potenciais malefícios superam os benefícios. O manejo deve focar no controle das comorbidades e na busca por alternativas não hormonais para os sintomas vasomotores, se necessário.
As contraindicações incluem câncer de mama ou endométrio, doença tromboembólica ativa ou prévia, doença hepática grave, sangramento vaginal não diagnosticado e hipertensão arterial grave não controlada.
A hipertensão mal controlada aumenta o risco de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares, e a terapia hormonal, especialmente com estrogênios, pode agravar esse risco, tornando o controle pressórico prioritário.
O diagnóstico de menopausa é clínico, definido retrospectivamente após 12 meses consecutivos de amenorreia, na ausência de outras causas fisiológicas ou patológicas.
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