TRH na Menopausa: Escolha da Via em Pacientes Obesas

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 49 anos vem ao consultório ginecológico queixando-se de irritabilidade, distúrbio de sono, calorões noturnos e irregularidade menstrual há cerca de 4 meses. Refere apenas 1 cirurgia prévia: tireoidectomia por câncer de tireoide, há cerca de 5 anos. Comorbidade: Obesidade, com IMC 32 kg/m². Mamografia sem alterações; FSH: 80 mUI/mL. Assinale a alternativa que apresenta a melhor opção de tratamento para essa paciente:

Alternativas

  1. A) Estrogênio isolado via transdérmica.
  2. B) Progesterona isolada via oral.
  3. C) Estrogênio transdérmico mais progesterona via oral.
  4. D) Estrogênio mais progesterona via oral.
  5. E) Paroxetina via oral.

Pérola Clínica

Útero presente + Obesidade → Estrogênio Transdérmico + Progesterona (Oral/SIU).

Resumo-Chave

A via transdérmica é preferencial na obesidade por evitar a primeira passagem hepática e reduzir o risco tromboembólico, enquanto a progesterona é obrigatória para proteção endometrial.

Contexto Educacional

O manejo do climatério exige uma avaliação individualizada dos riscos e benefícios. Em pacientes com sintomas vasomotores intensos (fogachos) e distúrbios do sono, a terapia hormonal é o padrão-ouro de tratamento. A escolha da via de administração é crucial: a via oral está associada a maiores alterações nos níveis de triglicerídeos e proteínas de coagulação, enquanto a via transdérmica é neutra em relação ao risco de tromboembolismo venoso. A obesidade (IMC > 30 kg/m²) potencializa o estado pró-trombótico, tornando a via transdérmica a opção mais segura. Além disso, a presença do útero exige a oposição da progesterona para prevenir a hiperplasia endometrial. O diagnóstico de menopausa nesta paciente é corroborado pela idade e pelo nível elevado de FSH (> 40 mUI/mL), indicando falência ovariana.

Perguntas Frequentes

Por que usar via transdérmica em obesas?

A obesidade é um fator de risco independente para eventos tromboembólicos. O estrogênio por via oral sofre metabolismo de primeira passagem hepática, o que estimula a produção de fatores de coagulação e aumenta o risco de trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar. A via transdérmica (adesivos ou gel) evita esse efeito hepático inicial, mantendo um perfil de segurança cardiovascular e metabólico superior para pacientes com IMC elevado, hipertensas ou com risco cardiovascular aumentado.

Quando a progesterona é obrigatória na TRH?

A progesterona deve ser obrigatoriamente associada ao estrogênio em todas as mulheres que possuem útero íntegro. O uso de estrogênio isolado promove a proliferação desordenada do endométrio, o que pode levar a hiperplasias e, eventualmente, ao adenocarcinoma de endométrio. A progesterona atua antagonizando esse efeito proliferativo, garantindo a segurança oncológica do tratamento. Em mulheres histerectomizadas, o estrogênio pode ser usado isoladamente.

Quais as contraindicações absolutas da TRH?

As principais contraindicações absolutas incluem: câncer de mama atual ou prévio, câncer de endométrio estrogênio-dependente, sangramento vaginal de causa desconhecida, doença hepática aguda grave, porfiria e antecedentes de eventos tromboembólicos ou doença arterial coronariana ativa. O histórico de câncer de tireoide não contraindica a TRH, permitindo o manejo dos sintomas climatéricos.

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