FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Mulher, 50 anos, queixa-se de fogachos e sudorese noturna, que iniciaram há 8 meses. Apresenta hipertensão arterial sistêmica controlada. Qual é o benefício do uso da via transdérmica, em comparação com a via oral, para a terapia hormonal?
TH transdérmica ↓ risco trombogênico vs. TH oral (evita 1ª passagem hepática).
A terapia hormonal transdérmica, ao evitar a primeira passagem hepática, não estimula a síntese de fatores de coagulação pelo fígado na mesma extensão que a via oral. Isso resulta em um menor risco trombogênico, sendo uma vantagem importante para pacientes com fatores de risco para trombose, como hipertensão controlada.
A terapia hormonal (TH) é uma opção eficaz para o manejo dos sintomas vasomotores da menopausa, como fogachos e sudorese noturna, que afetam significativamente a qualidade de vida de muitas mulheres. A escolha da via de administração é um aspecto importante a ser considerado, especialmente em pacientes com comorbidades. A fisiopatologia dos sintomas da menopausa está ligada à deficiência de estrogênio. A TH visa repor esse hormônio. A via oral de estrogênio é absorvida pelo trato gastrointestinal e passa pelo fígado antes de entrar na circulação sistêmica (primeira passagem hepática). Durante essa passagem, o estrogênio oral pode induzir a síntese de proteínas hepáticas, incluindo fatores de coagulação, o que pode aumentar o risco trombogênico. Em contraste, a via transdérmica (adesivos, géis) permite que o estrogênio seja absorvido diretamente na circulação sistêmica, contornando a primeira passagem hepática. Isso resulta em um perfil de risco mais favorável em relação à trombose venosa profunda e embolia pulmonar, tornando-a uma opção preferencial para mulheres com fatores de risco trombogênicos, como hipertensão controlada, obesidade ou histórico familiar de trombose.
O principal benefício é a redução do risco trombogênico, pois a via transdérmica evita a primeira passagem hepática, não alterando significativamente a síntese de fatores de coagulação pelo fígado.
A eficácia no controle dos sintomas vasomotores (fogachos e sudorese noturna) é geralmente comparável entre as vias transdérmica e oral, desde que as doses sejam equivalentes.
Não, a via transdérmica não demonstrou reduzir o risco de câncer de mama em comparação com a via oral. O risco de câncer de mama está mais relacionado à duração da terapia e ao tipo de progesterona utilizada.
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