USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Paciente, 50 anos, com queixa de ondas de calor e sudorese noturna que se iniciaram há 6 meses com a menopausa. Apresenta hipertensão arterial sistêmica tratada com anlodipino 5mg, diabetes controlada com metformina 1000 mg e hipercolesterolemia tratada com rosuvastatina 10 mg. Assinale qual é o benefício para o uso da via transdérmica para a terapia hormonal.
Terapia hormonal transdérmica ↓ risco trombogênico por evitar primeira passagem hepática.
A via transdérmica para a terapia hormonal na menopausa oferece um melhor perfil de risco trombogênico porque evita o efeito de primeira passagem hepática, onde o estrogênio oral pode aumentar a síntese de fatores de coagulação. Isso é particularmente vantajoso em pacientes com comorbidades como hipertensão e diabetes.
A terapia hormonal (TH) na menopausa é uma opção eficaz para o alívio dos sintomas vasomotores e outros sintomas relacionados à deficiência estrogênica. A escolha da via de administração, oral ou transdérmica, é um aspecto crucial na individualização do tratamento, especialmente em pacientes com comorbidades. A paciente do enunciado apresenta hipertensão, diabetes e hipercolesterolemia, fatores que aumentam o risco cardiovascular e trombogênico. A principal vantagem da via transdérmica (adesivos, géis) para a terapia hormonal é a sua segurança em relação ao perfil trombogênico. Ao contrário da via oral, o estrogênio transdérmico não passa pelo metabolismo de primeira passagem hepática. Isso significa que ele não estimula a produção hepática de fatores de coagulação, como o fibrinogênio e o fator VII, nem de proteínas como a globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), que podem aumentar o risco de eventos tromboembólicos. Portanto, em pacientes com fatores de risco para trombose venosa profunda, como os presentes na paciente (hipertensão, diabetes, dislipidemia, embora não sejam contraindicações absolutas, indicam cautela), a via transdérmica é preferível por apresentar um risco trombogênico significativamente menor. Embora a eficácia no controle dos sintomas seja comparável entre as vias, e o efeito endometrial seja controlado pela adição de progestagênio (independentemente da via do estrogênio), e o risco de câncer de mama não seja substancialmente diferente entre as vias, o benefício cardiovascular e trombogênico da via transdérmica é o diferencial mais relevante neste cenário clínico.
A via transdérmica evita o metabolismo de primeira passagem hepática do estrogênio, que ocorre com a via oral. O estrogênio oral pode estimular a síntese hepática de fatores de coagulação, aumentando o risco de trombose, o que não acontece ou é minimizado com a via transdérmica.
Pacientes com fatores de risco para trombose, como histórico de trombose venosa profunda, obesidade, hipertensão, diabetes, dislipidemia ou idade avançada, são candidatos preferenciais para a via transdérmica devido ao seu perfil de segurança cardiovascular.
Não há evidências claras de que a via transdérmica reduza o risco de câncer de mama em comparação com a via oral. O risco de câncer de mama está mais associado à duração da terapia e à combinação com progestagênios.
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