Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Mulher de 59 anos, com queixas de ondas de calor e alterações de humor, deseja iniciar terapia hormonal. Qual é uma contraindicação absoluta para esse tratamento?
TH contraindicada: TVP/TEP prévio, CA mama/endométrio, doença hepática ativa ou sangramento vaginal indeterminado.
A terapia hormonal é o padrão-ouro para sintomas vasomotores, mas o histórico de eventos tromboembólicos é uma contraindicação absoluta devido ao risco de recorrência mediado pelo estrogênio.
A Terapia Hormonal (TH) é o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores do climatério, porém sua prescrição deve ser precedida por uma anamnese rigorosa. As contraindicações absolutas visam proteger a paciente de riscos maiores que os benefícios, focando em eventos tromboembólicos e cânceres sensíveis a hormônios. É fundamental diferenciar contraindicações absolutas de relativas. Enquanto o tromboembolismo venoso e o câncer de mama são impeditivos, condições como hipertensão controlada, diabetes e miomatose permitem o uso cauteloso, muitas vezes com preferência pela via transdérmica para minimizar riscos metabólicos e vasculares.
As contraindicações absolutas incluem história de tromboembolismo venoso (TVP ou TEP), câncer de mama atual ou prévio, neoplasias estrogênio-dependentes (como câncer de endométrio), doença hepática aguda ou grave, sangramento vaginal de causa desconhecida, porfiria e lúpus eritematoso sistêmico com alto risco trombótico. A presença de qualquer uma dessas condições impede o início da terapia estrogênica ou combinada, exigindo alternativas não hormonais para o manejo dos sintomas climatéricos.
Não, o mioma uterino não é uma contraindicação absoluta para a terapia hormonal. No entanto, como os miomas são sensíveis ao estrogênio, eles podem crescer durante o tratamento. O acompanhamento ultrassonográfico é recomendado, mas a presença isolada de miomas não proíbe a paciente de tratar seus sintomas vasomotores com hormônios, desde que não haja sangramento uterino anormal não investigado.
O estrogênio, especialmente por via oral, aumenta a síntese hepática de fatores de coagulação e reduz anticoagulantes naturais como a proteína S. Em pacientes com histórico de TVP ou TEP, esse estado pró-trombótico eleva significativamente o risco de novos eventos embólicos. Nesses casos, se a TH for estritamente necessária e o risco discutido, a via transdérmica é preferível por evitar o metabolismo de primeira passagem hepática, mas o histórico prévio geralmente mantém a contraindicação formal na prática clínica padrão.
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