Terapia Hormonal na Menopausa: Escolha Pós-Histerectomia

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 52 anos, apresenta sintomas de fogachos noturnos, irritabilidade e ressecamento vaginal. Refere ciclos menstruais irregulares, sendo a última menstruação há 5 meses. Trouxe exames laboratoriais recentes, demonstrando FSH 90 mUI/mL. Apresenta hipertrigliceridemia como comorbidade. Refere histerectomia prévia por miomatose uterina.De acordo com o caso, assinale a alternativa que apresenta o tratamento mais adequado.

Alternativas

  1. A) Estrogênio via vaginal.
  2. B) Estrogênio transdérmico.
  3. C) Estrogênio mais progesterona via oral.
  4. D) Progesterona via oral.
  5. E) Progesterona transdérmica.

Pérola Clínica

Mulher histerectomizada com sintomas de menopausa → Terapia hormonal apenas com estrogênio, preferencialmente via transdérmica para menor risco trombótico e metabólico.

Resumo-Chave

Em mulheres na menopausa sem útero (pós-histerectomia), a terapia de reposição hormonal (TRH) é feita apenas com estrogênio, pois a progesterona é usada para proteção endometrial. A via transdérmica é preferível à oral, especialmente em pacientes com comorbidades como hipertrigliceridemia, pois evita a primeira passagem hepática.

Contexto Educacional

A menopausa é definida pela cessação permanente da menstruação devido à perda da atividade folicular ovariana, diagnosticada retrospectivamente após 12 meses de amenorreia. A queda nos níveis de estrogênio leva a uma série de sintomas, sendo os vasomotores (fogachos) e a atrofia urogenital os mais comuns e que mais impactam a qualidade de vida. O diagnóstico é clínico, podendo ser apoiado por dosagens de FSH, que se encontram elevados. A terapia hormonal (TH) é o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores moderados a graves. A escolha do esquema terapêutico depende fundamentalmente da presença ou ausência do útero. Em mulheres histerectomizadas, como no caso apresentado, não há necessidade de progesterona, cujo único papel na TH é a proteção endometrial. Portanto, a terapia é feita apenas com estrogênio. A via de administração do estrogênio também é uma decisão clínica importante. A via transdérmica (adesivos ou gel) é preferível à via oral em muitas situações, pois evita o metabolismo de primeira passagem hepática. Isso confere um perfil de segurança mais favorável, com menor risco de tromboembolismo venoso e menor impacto sobre os níveis de triglicerídeos e proteínas inflamatórias, sendo a escolha ideal para pacientes com comorbidades como a hipertrigliceridemia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a menopausa?

O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na amenorreia por 12 meses consecutivos em mulheres com idade compatível (geralmente >45 anos), associada a sintomas climatéricos como fogachos. Laboratorialmente, um FSH > 25-30 mUI/mL em duas dosagens com intervalo de 4-6 semanas é confirmatório.

Por que a via transdérmica de estrogênio é mais segura que a oral?

A via transdérmica (adesivo, gel) evita a primeira passagem pelo fígado. Isso resulta em menor produção de fatores de coagulação e menor impacto no perfil lipídico (não eleva triglicerídeos), diminuindo significativamente o risco de tromboembolismo venoso em comparação com a via oral.

Quando a progesterona é absolutamente necessária na terapia hormonal da menopausa?

A progesterona (ou um progestágeno) é indicada para todas as mulheres com útero intacto que fazem uso de estrogênio sistêmico. Sua função é realizar a oposição endometrial, prevenindo a hiperplasia e o câncer de endométrio induzidos pelo estímulo estrogênico isolado.

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