UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021
Mulher de 51 anos queixa-se de fogachos principalmente à noite, acompanhados de suor e insônia. Relata canseira e indisposição. AP: G2P2C2, DUM em 2018, HAS e hipotireoidismo controlados. AF: pai falecido por AVC aos 65 anos e avó materna por câncer de mama aos 75 anos. Exame físico: PA 125 x 80 mmHg, IMC 31 kg/m². Exame ginecológico: hipotrofismo vaginal. Mamografia recente: BI-RADS 2.Considerando o caso, assinale a alternativa correta.
TH em mulher com HAS/hipotireoidismo controlados e IMC 31 é possível, via transdérmica preferencial para menor risco cardiovascular.
A terapia hormonal (TH) pode ser indicada para alívio dos sintomas vasomotores e geniturinários da menopausa, mesmo com comorbidades controladas como HAS e hipotireoidismo. A via transdérmica é preferível em pacientes com fatores de risco cardiovascular ou obesidade, pois evita a primeira passagem hepática, minimizando o impacto em fatores de coagulação e lipídios.
A menopausa é um período fisiológico na vida da mulher, caracterizado pela cessação da menstruação e pela diminuição da produção hormonal ovariana, principalmente de estrogênio. Os sintomas vasomotores, como fogachos e suores noturnos, e os sintomas geniturinários, como a hipotrofia vaginal, são as principais queixas que levam à busca por tratamento. A terapia hormonal (TH) é a abordagem mais eficaz para o alívio desses sintomas, melhorando a qualidade de vida das pacientes. É crucial uma avaliação individualizada dos riscos e benefícios antes de iniciar a TH, considerando a idade da paciente, o tempo desde a menopausa e a presença de comorbidades. O manejo da TH deve levar em conta os antecedentes pessoais e familiares da paciente. Comorbidades como hipertensão arterial e hipotireoidismo, se bem controladas, não são contraindicações absolutas. A escolha da via de administração do estrogênio é fundamental; a via transdérmica (adesivos, géis) é frequentemente preferida em pacientes com fatores de risco cardiovascular, obesidade ou histórico de trombose, pois minimiza o metabolismo de primeira passagem hepática e seus potenciais efeitos adversos. A progesterona é adicionada em mulheres com útero para proteger o endométrio da hiperplasia induzida pelo estrogênio. É importante que o residente compreenda que a decisão de iniciar ou manter a TH é complexa e deve ser compartilhada com a paciente, após discussão dos potenciais benefícios (alívio de sintomas, prevenção de osteoporose) e riscos (tromboembolismo, câncer de mama, AVC). A monitorização regular e a reavaliação periódica são essenciais para ajustar a terapia e garantir a segurança da paciente. A mamografia BI-RADS 2 indica achados benignos, não sendo uma contraindicação à TH, mas a história familiar de câncer de mama exige vigilância.
Os principais sintomas que justificam a terapia hormonal incluem fogachos, suores noturnos, insônia, alterações de humor, cansaço e sintomas geniturinários como hipotrofismo vaginal e dispareunia, que impactam significativamente a qualidade de vida da mulher.
A via transdérmica é preferível em pacientes com fatores de risco como obesidade, hipertensão controlada ou histórico de trombose, pois evita a primeira passagem hepática. Isso resulta em menor impacto nos fatores de coagulação, triglicerídeos e proteínas hepáticas, reduzindo potenciais riscos cardiovasculares e tromboembólicos.
Contraindicações absolutas incluem câncer de mama ou endométrio ativo, sangramento vaginal não diagnosticado, doença tromboembólica ativa, doença hepática grave e porfiria. Contraindicações relativas, que exigem avaliação individual, são hipertensão não controlada, hipertrigliceridemia grave, doença da vesícula biliar e histórico familiar de câncer de mama.
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