Menopausa: Manejo dos Fogachos com Terapia Hormonal

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020

Enunciado

Uma mulher com 48 anos de idade vai a uma consulta na Unidade Básica de Saúde com queixa de calorões há três meses. As ondas de calor começam de repente, percorrem o tórax, pescoço e cabeça, geram suor abundante e terminam espontaneamente após alguns minutos. Ultimamente, os fogachos acontecem cerca de 3 a 4 vezes por dia e, às vezes, ocorrem durante a noite, atrapalhando o sono. A paciente está ficando cansada e irritada desde que o sintoma começou. Usa como método contraceptivo a laqueadura tubária. Ela teve ciclos menstruais irregulares nos últimos anos (menstruava a cada 2 ou 3 meses) e está em amenorreia há 6 meses. Deseja alguma solução para os calorões que a estão ""deixando louca"". Não fuma, nega doenças crônicas e nega história de câncer de mama ou endométrio. Sua história familiar é negativa para doenças ginecológicas. Em seu exame físico, apresenta IMC = 23,5 kg/m², PA = 110 x 70 mmHg e exame ginecológico e de mamas sem alterações dignas de nota. Todos os exames complementares de rotina estão normais. Considerando os dados clínicos da paciente, assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada.

Alternativas

  1. A) Solicitar dosagem de FSH e ultrassonografia transvaginal para definir o diagnóstico de climatério.
  2. B) Prescrever inibidor seletivo de recaptação de acetilcolina como primeira opção terapêutica.
  3. C) Solicitar dosagem de estradiol e progesterona para avaliar a função ovariana.
  4. D) Prescrever terapia hormonal com estrogênio e progestagênio.

Pérola Clínica

Mulher <60 anos, <10 anos pós-menopausa, sintomas vasomotores graves, sem contraindicações → Terapia Hormonal.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sintomas vasomotores intensos (fogachos diurnos e noturnos, irritabilidade, fadiga) e amenorreia há 6 meses, indicando menopausa. Sem contraindicações para TH (idade, tempo de menopausa, história pessoal/familiar de câncer, IMC, PA). A terapia hormonal combinada é a primeira linha para alívio de sintomas vasomotores em mulheres com útero.

Contexto Educacional

O climatério é o período de transição da vida reprodutiva para a não reprodutiva, culminando na menopausa, definida como 12 meses consecutivos de amenorreia. Os sintomas vasomotores, como os fogachos e suores noturnos, afetam significativamente a qualidade de vida de muitas mulheres e são a principal razão para a busca de tratamento. A prevalência e intensidade variam, mas podem ser debilitantes. A fisiopatologia dos fogachos envolve disfunção do centro termorregulador hipotalâmico, influenciado pela queda dos níveis de estrogênio. O diagnóstico de menopausa é clínico, baseado na idade e amenorreia, e exames hormonais (FSH, estradiol) geralmente não são necessários para iniciar o tratamento em mulheres com quadro típico. A paciente do caso, com 48 anos e amenorreia há 6 meses, apresenta um quadro clássico. A terapia hormonal (TH) é o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores da menopausa. Em mulheres com útero, a combinação de estrogênio e progestagênio é fundamental para prevenir a hiperplasia endometrial. A decisão de iniciar a TH deve considerar a idade da paciente, o tempo desde a menopausa, a gravidade dos sintomas e a ausência de contraindicações, sempre individualizando o tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para iniciar a terapia hormonal na menopausa?

A terapia hormonal é indicada para mulheres com sintomas vasomotores moderados a graves, preferencialmente com idade inferior a 60 anos ou menos de 10 anos de menopausa, e sem contraindicações.

Por que a terapia hormonal combinada é usada em mulheres com útero?

Em mulheres com útero, a terapia hormonal combinada (estrogênio e progestagênio) é essencial para proteger o endométrio da hiperplasia e do câncer, que podem ser induzidos pelo estrogênio isolado.

Quais são as principais contraindicações para a terapia hormonal?

As principais contraindicações incluem câncer de mama ou endométrio prévio, doença tromboembólica ativa, doença hepática grave, sangramento vaginal não diagnosticado e doença cardiovascular ativa.

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