Menopausa e IAM: Contraindicações da Terapia Hormonal

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 53 anos chega ao ambulatório queixando-se de fogachos, ressecamento vaginal e alterações de humor. Ela refere amenorreia há 15 meses, obesidade grau 2, tem dislipidemia e infarto agudo do míocárdio há 3 meses. Assinale a alternativa que apresenta uma conduta terapêutica inadequada para essa paciente.

Alternativas

  1. A) Cimicifuga Actea via oral.
  2. B) Promestrieno via vaginal.
  3. C) Estradiol + noretisterona via oral.
  4. D) Inibidor seletivo da recaptação de serotonina.

Pérola Clínica

IAM recente + menopausa → TH sistêmica (estradiol + noretisterona) é contraindicada.

Resumo-Chave

Em pacientes menopausadas com sintomas vasomotores e atrofia vaginal, a presença de comorbidades como infarto agudo do miocárdio recente (menos de 6 meses) e dislipidemia contraindica o uso de terapia hormonal sistêmica combinada (estradiol + progestagênio oral) devido ao aumento do risco cardiovascular e tromboembólico.

Contexto Educacional

A menopausa é um período fisiológico na vida da mulher, caracterizado pela cessação da menstruação e pela diminuição da produção hormonal ovariana, levando a sintomas como fogachos, ressecamento vaginal e alterações de humor. A terapia hormonal (TH) é o tratamento mais eficaz para esses sintomas, mas sua indicação deve ser cuidadosamente avaliada, considerando os riscos e benefícios individuais de cada paciente. A fisiopatologia dos sintomas menopausais está ligada à privação estrogênica. No entanto, a TH sistêmica, especialmente a combinada oral (estrogênio + progestagênio), possui contraindicações importantes, particularmente em pacientes com alto risco cardiovascular. O estudo WHI (Women's Health Initiative) demonstrou um aumento no risco de eventos cardiovasculares (IAM, AVC) e tromboembólicos (TVP, TEP) em mulheres que iniciaram TH combinada oral, especialmente se iniciada muitos anos após a menopausa ou na presença de comorbidades. No caso da paciente descrita, com histórico de infarto agudo do miocárdio recente (3 meses), obesidade grau 2 e dislipidemia, a terapia hormonal sistêmica (estradiol + noretisterona via oral) é absolutamente contraindicada devido ao risco aumentado de novos eventos cardiovasculares. Para esses casos, alternativas não hormonais para fogachos (como ISRS ou Cimicifuga Actea) e terapia estrogênica local para atrofia vaginal (como promestrieno via vaginal, com mínima absorção sistêmica) são as condutas mais seguras e adequadas. Residentes devem dominar as indicações e, crucialmente, as contraindicações da TH para garantir a segurança e o melhor desfecho para suas pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais contraindicações para a terapia hormonal sistêmica na menopausa?

As principais contraindicações incluem câncer de mama ou endométrio, sangramento vaginal não diagnosticado, doença tromboembólica ativa ou prévia (TVP, TEP), doença hepática grave, e histórico de infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral recentes.

Por que a terapia hormonal sistêmica é contraindicada após um infarto agudo do miocárdio recente?

A terapia hormonal sistêmica, especialmente a combinada oral, aumenta o risco de eventos tromboembólicos e cardiovasculares, incluindo infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. Este risco é particularmente elevado em mulheres com histórico de doença cardiovascular preexistente ou recente.

Quais são as alternativas terapêuticas para sintomas da menopausa em pacientes com contraindicações à TH sistêmica?

Para fogachos, podem ser usados inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), gabapentina ou fitoterápicos como Cimicifuga Actea. Para ressecamento vaginal, o promestrieno via vaginal (estrogênio tópico) é uma opção segura, pois tem absorção sistêmica mínima.

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