SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2026
Paciente de 42 anos, com histórico de histerectomia abdominal total e anexectomia bilateral por dor pélvica secundária à endometriose, refere que após três meses da cirurgia iniciou sintomas climatéricos como fogachos, irritabilidade e insônia. Nega doenças crônicas, apresenta mamografia com laudo de BI RADS 2 e exames laboratoriais sem alterações. Considerando a possibilidade que a paciente em questão se beneficiaria da terapia hormonal, qual seria o melhor esquema a ser indicado?
Endometriose prévia + Histerectomia → Terapia Hormonal Combinada (E+P) para evitar recidiva ou malignidade.
Em pacientes histerectomizadas com histórico de endometriose, a terapia estrogênica isolada é contraindicada pelo risco de estimulação de focos residuais e potencial transformação maligna.
A terapia hormonal (TH) em mulheres com histórico de endometriose submetidas à ooforectomia bilateral e histerectomia é um desafio clínico. A endometriose é uma doença estrogênio-dependente, e a persistência de focos microscópicos após a cirurgia é comum. A introdução de estrogênio isolado pode reativar esses focos, causando dor e aumentando o risco de câncer epitelial de ovário (mesmo em focos extra-ovarianos). Estudos observacionais e revisões sistemáticas indicam que a adição de um progestagênio à terapia estrogênica reduz significativamente o risco de recorrência da dor e de malignização. A escolha do esquema deve ser criteriosa, priorizando a segurança da paciente a longo prazo. Este caso ilustra a importância de olhar além da anatomia uterina presente, focando na história patológica pregressa para definir a melhor conduta hormonal.
O uso da progesterona (ou progestagênio) em pacientes que realizaram histerectomia mas possuem histórico de endometriose visa a proteção de possíveis focos residuais da doença. O estrogênio isolado pode estimular esses focos ectópicos, levando ao retorno da dor pélvica, crescimento de massas endometrióticas e, o mais grave, aumentando o risco de transformação maligna para carcinoma endometrioide ou de células claras. Portanto, a oposição do progestagênio é uma medida de segurança oncológica e clínica fundamental nesses casos específicos.
Os principais riscos incluem a reativação da endometriose, resultando em dor pélvica crônica e necessidade de novas intervenções cirúrgicas. Além disso, existe um risco documentado de desenvolvimento de neoplasias malignas a partir de focos de endometriose estimulados pelo estrogênio sem a contraposição da progesterona. Embora a paciente não possua mais o útero, o tecido endometrial ectópico responde aos hormônios da mesma forma que o endométrio tópico, exigindo cautela na prescrição da terapia hormonal.
A recomendação atual é individualizar o tratamento, mas a maioria dos consensos sugere a terapia hormonal combinada (estrogênio + progestagênio) ou o uso de tibolona. A via de administração (oral ou transdérmica) deve ser escolhida com base no perfil de risco cardiovascular e metabólico da paciente. O objetivo é tratar os sintomas vasomotores (fogachos) e prevenir a osteoporose, mantendo a doença endometriótica em estado de quiescência através da oposição progestagênica contínua.
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