USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Homem trans, 32 anos, hipertenso, comparece para consulta de rotina em UBS. Refere-se relacionar sexualmente com homem cisgênero, e atualmente está em uso regular de contraceptivo oral combinado (COC) contendo levonorgestrel (0,15 mg) + etinilestradiol (0,03 mg) para controle de sangramento vaginal volumoso. Refere ter iniciado o uso de testosterona em outro serviço há 2 meses. Exame físico: sem lesões ou achados anormais ao exame da genitália. Qual a melhor conduta clínica neste momento?
Homem trans + testosterona + COC → ↑ risco trombótico; substituir COC por progestágeno isolado.
Em homens trans em terapia com testosterona, o uso de contraceptivos orais combinados (COC) é contraindicado devido ao risco aumentado de eventos tromboembólicos associados ao estrogênio. A melhor conduta para controle de sangramento vaginal é a substituição do COC por um progestágeno isolado, que não possui o componente estrogênico.
A saúde de pessoas trans exige uma abordagem clínica sensível e informada, especialmente no que tange à terapia hormonal e contracepção. Homens trans em uso de testosterona para masculinização podem ainda apresentar sangramento vaginal, necessitando de manejo. A escolha do método contraceptivo deve considerar as interações hormonais e os riscos associados. O uso de contraceptivos orais combinados (COC), que contêm estrogênio, é contraindicado para homens trans em terapia com testosterona devido ao risco aumentado de eventos tromboembólicos. A testosterona, embora não seja um contraceptivo eficaz, pode influenciar o perfil de coagulação, e a adição de estrogênio exacerba esse risco. Portanto, a substituição do COC por um progestágeno isolado é a conduta mais segura e eficaz para controlar o sangramento vaginal volumoso. É crucial que o profissional de saúde esteja atualizado sobre as diretrizes de saúde trans, garantindo que as intervenções sejam seguras, eficazes e alinhadas com os objetivos de afirmação de gênero do paciente. A manutenção da testosterona é importante para a saúde e bem-estar do homem trans, e o manejo do sangramento deve ser feito com opções que não comprometam essa terapia, como os progestágenos isolados.
O estrogênio presente nos contraceptivos orais combinados aumenta o risco de eventos tromboembólicos, que já pode ser influenciado pela terapia com testosterona, tornando a combinação perigosa.
A melhor opção é o progestágeno isolado, pois não contém estrogênio e, portanto, não eleva o risco trombótico associado ao COC, sendo eficaz para o controle do sangramento.
A suspensão da testosterona não é a conduta inicial recomendada, pois a terapia hormonal é fundamental para a afirmação de gênero. O manejo do sangramento deve focar em alternativas contraceptivas seguras.
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