HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2023
Mulher, 49 anos, vem ao consultório do ginecologista para uma avaliação de rotina. Submeteu-se a histerectomia total aos 40 anos devido a mioma. Não tem queixas relacionadas ao climatério, exercita-se, tem dieta balanceada e seu IMC é 23 Kg/m². Deseja informações sobre a terapia hormonal. Qual a orientação correta para esse caso?
TH no climatério não é preventiva universal; indicada para sintomas moderados/graves, individualizada, na menor dose e tempo possível.
A terapia hormonal não é uma medida preventiva universal e deve ser indicada apenas para mulheres com sintomas climatéricos moderados a graves que impactam a qualidade de vida, após avaliação individualizada de riscos e benefícios, e não para mulheres assintomáticas.
A terapia hormonal (TH) no climatério e pós-menopausa é um tema complexo e deve ser abordada de forma individualizada. O climatério é o período de transição da vida reprodutiva para a não reprodutiva, caracterizado por flutuações hormonais e sintomas como ondas de calor, suores noturnos, alterações de humor e atrofia urogenital. A menopausa é definida como 12 meses consecutivos de amenorreia. A TH não é uma terapia preventiva universal e não deve ser utilizada de forma aleatória. Sua principal indicação é o alívio de sintomas vasomotores moderados a graves que impactam a qualidade de vida da mulher, e para o tratamento da atrofia urogenital. A decisão de iniciar a TH deve considerar a idade da mulher, o tempo desde a menopausa (janela de oportunidade), a presença de comorbidades e os riscos e benefícios individuais. Para mulheres com útero, a TH combinada (estrogênio + progesterona) é necessária para proteger o endométrio da hiperplasia. Para mulheres histerectomizadas, a terapia com estrogênio isolado é suficiente. A menor dose eficaz pelo menor tempo possível é a recomendação atual. A paciente do caso, assintomática e com estilo de vida saudável, não tem indicação para TH preventiva.
As principais indicações para a terapia hormonal são o alívio de sintomas vasomotores (ondas de calor, suores noturnos) moderados a graves e a prevenção e tratamento da atrofia urogenital, quando outras medidas não foram eficazes.
Os riscos incluem aumento do risco de tromboembolismo venoso, acidente vascular cerebral, câncer de mama (com terapia combinada) e doença cardiovascular, especialmente se iniciada tardiamente ou em doses elevadas.
Mulheres que realizaram histerectomia total não necessitam de progesterona, pois não possuem útero para proteger contra a hiperplasia endometrial. Nesses casos, a terapia com estrogênio isolado é suficiente.
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