MedEvo Simulado — Prova 2026
Sônia, uma paciente de 52 anos, procura atendimento ginecológico com queixa de fogachos intensos que ocorrem diversas vezes ao dia, prejudicando seu sono e desempenho no trabalho. Ela refere que sua última menstruação ocorreu há 14 meses. Em sua história patológica pregressa, destaca-se um episódio de trombose venosa profunda (TVP) há quatro anos, ocorrido após uma cirurgia ortopédica, sem recorrências desde então. Ela não apresenta outras comorbidades conhecidas, mas fuma cerca de cinco cigarros por dia. Analise a imagem abaixo, que contém os resultados de seus exames laboratoriais e de imagem realizados recentemente. Com base no quadro clínico e nos achados complementares, assinale a conduta mais adequada para o manejo dos sintomas climatéricos desta paciente:
História de TVP → Preferir via transdérmica para Terapia Hormonal (menor risco tromboembólico).
A via transdérmica de estrogênio evita o efeito de primeira passagem hepática, não estimulando a síntese de fatores de coagulação, sendo a escolha em pacientes com risco cardiovascular ou tromboembólico aumentado.
O manejo do climatério exige um equilíbrio entre o alívio dos sintomas vasomotores (fogachos) e a segurança cardiovascular. A Terapia Hormonal (TH) é o padrão-ouro para sintomas intensos, mas sua via de administração é determinante para o perfil de segurança. A via oral aumenta a síntese hepática de SHBG e fatores de coagulação, elevando o risco de tromboembolismo venoso. Em pacientes com antecedentes de TVP provocada (como após cirurgia ortopédica) e sem recorrências, a via transdérmica surge como uma alternativa viável. Ela mantém níveis fisiológicos de estradiol sem os picos plasmáticos da via oral. O uso de progestagênios associados é obrigatório em mulheres com útero preservado para proteção endometrial, preferindo-se progesterona micronizada ou didrogesterona pelo menor impacto metabólico.
A via transdérmica de estrogênio não sofre o efeito de primeira passagem hepática. Isso é crucial porque a passagem pelo fígado (via oral) estimula a produção de fatores de coagulação e proteínas pró-trombóticas. Estudos demonstram que doses baixas de estrogênio transdérmico não aumentam significativamente o risco de eventos tromboembólicos em comparação com a via oral, tornando-a a opção mais segura para mulheres com antecedentes de trombose venosa ou fatores de risco como tabagismo e hipertensão.
As contraindicações absolutas incluem câncer de mama atual ou prévio, câncer de endométrio estrogênio-dependente, sangramento vaginal de causa desconhecida, doença hepática aguda e grave, porfiria e histórico de eventos tromboembólicos arteriais (como IAM ou AVC). No caso de TVP, a contraindicação é absoluta para a via oral, mas a via transdérmica pode ser considerada dependendo da etiologia do evento prévio.
Sim. O tabagismo aumenta o risco cardiovascular e tromboembólico. Em pacientes fumantes, a via transdérmica é fortemente recomendada sobre a via oral para minimizar o risco de trombose e AVC. Além disso, o tabagismo pode acelerar o metabolismo hepático do estrogênio oral, reduzindo sua eficácia, problema que é contornado pela absorção direta através da pele na via transdérmica.
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