INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma mulher de 51 anos vem ao ambulatório de referência mencionando fogachos, insônia, irritabilidade e labilidade emocional há 3 meses. A última menstruação foi há 6 meses e nunca usou hormônios. É hipertensa em uso de medicação com níveis tensionais controlados. Realizou revisão ginecológica recentemente, com exames clínico e complementares normais. Após a explanação do médico sobre os riscos e benefícios da terapia hormonal (TH) no climatério, a paciente informa que deseja usar hormônios para alívio da sintomatologia, solicitando um esquema hormonal de menor risco para o seu organismo. Considerando as evidências disponíveis quanto ao perfil farmacológico e clínico dos esquemas de TH, o médico deverá prescrever
TH climatério com HAS controlada: estrogênio transdérmico + progesterona micronizada vaginal cíclica → menor risco.
Em pacientes com climatério e fatores de risco como hipertensão controlada, a via transdérmica para o estrogênio e a progesterona natural micronizada (especialmente vaginal) são preferíveis devido ao menor impacto metabólico e menor risco tromboembólico e cardiovascular em comparação com a via oral. O esquema cíclico de progesterona é para quem ainda tem útero.
A terapia hormonal (TH) no climatério é uma opção eficaz para aliviar sintomas vasomotores e geniturinários, melhorando a qualidade de vida. Sua indicação deve ser individualizada, considerando a janela de oportunidade (geralmente até 10 anos pós-menopausa ou <60 anos) e a presença de fatores de risco. A epidemiologia mostra que a TH oral pode aumentar o risco de trombose e eventos cardiovasculares em certas populações, enquanto a transdérmica e progesteronas naturais têm um perfil de segurança mais favorável. A fisiopatologia dos sintomas climatéricos está ligada à deficiência estrogênica. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e no tempo de amenorreia. Ao suspeitar da necessidade de TH, é crucial avaliar o risco-benefício, considerando comorbidades como hipertensão, dislipidemia e histórico familiar. Exames complementares devem ser atualizados para rastrear contraindicações. O tratamento com TH deve ser iniciado com a menor dose eficaz e pelo menor tempo necessário. Para pacientes com útero, a associação de progesterona é obrigatória para proteger o endométrio. A escolha da via (oral vs. transdérmica) e do tipo de progestagênio (sintético vs. natural micronizado) é fundamental para minimizar riscos, especialmente em pacientes com hipertensão controlada, onde a via transdérmica e a progesterona natural são geralmente mais seguras.
A via transdérmica evita a primeira passagem hepática, resultando em menor impacto na síntese de fatores de coagulação, triglicerídeos e proteínas C reativa, conferindo menor risco tromboembólico e cardiovascular.
A progesterona natural micronizada, especialmente por via vaginal, tem um perfil de segurança mais favorável em relação aos progestagênios sintéticos, com menor impacto metabólico e menor risco de câncer de mama e eventos cardiovasculares.
As contraindicações absolutas incluem câncer de mama ou endométrio atual ou prévio, sangramento vaginal inexplicado, doença tromboembólica ativa, doença hepática grave e porfiria.
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