Terapia Hormonal no Climatério: Manejo em Pacientes com TVP

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Uma mulher de 58 anos foi atendida pela primeira vez no ambulatório especializado em climatério. Faz uso de terapia hormonal combinada via oral há 6 anos. Interrompeu o uso há 5 meses, mas voltou a usar a medicação devido aos sintomas intensos de climatério, principalmente devido aos fogachos e ao  impacto negativo na relação sexual. Há cinco anos foi internada por um quadro de trombose venosa profunda, porém, desde então, não houve outros episódios. Os exames de rotina recentes são apresentados na tabela a seguir:Diante do caso acima, a conduta mais segura é

Alternativas

  1. A) interromper a medicação oral e indicar o uso de fitoterápicos para terapia hormonal.
  2. B) trocar por estrogênio oral isolado e inserir o sistema intrauterino liberador de levonorgestrel.
  3. C) manter a terapia hormonal oral somente com estrogênio e realizar histeroscopia com biópsia. 
  4. D) interromper o uso da medicação oral e prescrever terapia hormonal combinada com estradiol transdérmico.

Pérola Clínica

TH em paciente com TVP prévia → contraindicação relativa para via oral → preferir estradiol transdérmico + progesterona.

Resumo-Chave

A história de trombose venosa profunda (TVP) prévia é uma contraindicação relativa para a terapia hormonal oral, devido ao aumento do risco trombótico associado ao estrogênio oral. A via transdérmica de estrogênio, por não passar pelo metabolismo de primeira passagem hepática, apresenta menor risco trombogênico, sendo a opção mais segura para esta paciente que ainda necessita de TH.

Contexto Educacional

A terapia hormonal (TH) é uma opção eficaz para o alívio dos sintomas vasomotores e geniturinários do climatério, melhorando a qualidade de vida de muitas mulheres. No entanto, sua indicação e via de administração devem ser cuidadosamente avaliadas, considerando os riscos e benefícios individuais. A trombose venosa profunda (TVP) prévia é um fator de risco importante para eventos tromboembólicos e representa uma contraindicação relativa à TH, especialmente quando administrada por via oral. O estrogênio oral, ao passar pelo metabolismo de primeira passagem hepática, aumenta a síntese de fatores de coagulação e diminui a de anticoagulantes, elevando o risco trombótico. Para pacientes com histórico de TVP que necessitam de TH, a via transdérmica de estrogênio é preferível, pois não sofre o efeito de primeira passagem hepática, resultando em menor impacto nos fatores de coagulação e, consequentemente, menor risco trombogênico. Como a paciente possui útero e está em uso de TH combinada, a progesterona é essencial para proteger o endométrio contra a hiperplasia e o câncer endometrial induzidos pelo estrogênio. Portanto, a conduta mais segura é trocar a TH oral por uma combinada com estradiol transdérmico.

Perguntas Frequentes

Por que a trombose venosa profunda é uma preocupação na terapia hormonal?

A trombose venosa profunda (TVP) é uma preocupação porque o estrogênio oral aumenta o risco trombótico, especialmente em pacientes com histórico prévio, devido ao seu efeito no metabolismo hepático e nos fatores de coagulação.

Qual a vantagem do estradiol transdérmico em relação ao oral para pacientes com risco trombótico?

O estradiol transdérmico tem a vantagem de não passar pelo metabolismo de primeira passagem hepática, resultando em menor impacto nos fatores de coagulação e, consequentemente, menor risco trombogênico em comparação com a via oral.

Quando a terapia hormonal combinada é necessária e qual o papel da progesterona?

A terapia hormonal combinada (estrogênio + progesterona) é necessária em mulheres com útero intacto para proteger o endométrio contra a hiperplasia e o câncer endometrial induzidos pelo estrogênio isolado.

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