Terapia Hormonal na Menopausa Pós-Histerectomia

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 43 anos apresenta sintomas vasomotores, insônia, ressecamento vaginal e perda da libido. AP: G4P4C0; histerectomia total e salpingooforectomia bilateral por câncer de colo de útero, tipo escamoso, há 6 meses. AF: mãe com HAS; nega câncer de mama. Ao exame físico: PA 110 x 70 mmHg, IMC 24,7 kg/m2 . Ao exame ginecológico: vagina em fundo cego. Mamografia: BI-RADS 0 com mamas densas. Ultrassom de mamas: sem alterações. Em relação à terapia hormonal, assinale a correta.

Alternativas

  1. A) Iniciar estrogênio associado ao progestagênio.
  2. B) Introduzir progestagênio isolado.
  3. C) Prescrever estrogênio isolado.
  4. D) Está contraindicada.

Pérola Clínica

Mulher histerectomizada e ooforectomizada com sintomas menopausais → TH com estrogênio isolado (sem útero, não precisa de progestagênio).

Resumo-Chave

A paciente foi submetida a histerectomia total e salpingooforectomia bilateral, o que significa que não possui útero. Nesses casos, a terapia hormonal para sintomas menopausais pode ser feita com estrogênio isolado, pois o progestagênio é adicionado apenas para proteger o endométrio do estímulo estrogênico e prevenir hiperplasia/câncer.

Contexto Educacional

A menopausa cirúrgica, resultante da ooforectomia bilateral, leva a uma queda abrupta dos níveis hormonais, causando sintomas vasomotores intensos, atrofia urogenital e perda de libido. A terapia hormonal (TH) é o tratamento mais eficaz para esses sintomas. A decisão sobre o tipo de TH depende da presença ou ausência do útero. Em pacientes que foram submetidas a histerectomia total (remoção do útero), a administração de estrogênio isolado é a abordagem correta. O progestagênio é adicionado à TH em mulheres com útero intacto para proteger o endométrio do estímulo estrogênico, prevenindo a hiperplasia endometrial e o risco de câncer de endométrio. Sem o útero, essa proteção não é necessária. A história de câncer de colo de útero (tipo escamoso) não é uma contraindicação para a TH, pois esse tipo de câncer não é hormônio-dependente. No entanto, a avaliação individualizada dos riscos e benefícios é sempre fundamental. Residentes devem estar atentos a essas nuances para prescrever a TH de forma segura e eficaz.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença na terapia hormonal para mulheres com e sem útero?

Mulheres com útero devem usar terapia hormonal combinada (estrogênio + progestagênio) para proteger o endométrio da hiperplasia. Mulheres sem útero (histerectomizadas) podem usar estrogênio isolado, pois não há endométrio a ser protegido.

Por que o progestagênio é adicionado à terapia com estrogênio em mulheres com útero?

O progestagênio é adicionado para antagonizar o efeito proliferativo do estrogênio no endométrio, prevenindo a hiperplasia endometrial e o risco de câncer de endométrio.

A história de câncer de colo de útero contraindica a terapia hormonal?

Não necessariamente. O câncer de colo de útero, especialmente o tipo escamoso, geralmente não é hormônio-dependente. Portanto, a história de câncer de colo de útero não é uma contraindicação absoluta para a terapia hormonal, diferentemente de alguns tipos de câncer de mama ou endométrio.

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