Hipertensão e Diabetes: Terapia Combinada com IECA e Tiazídico

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 57 anos de idade é atendido em consulta de rotina. Ele tem antecedentes de diabete melito e hipertensão arterial e nega demais patologias. Nos últimos 6 meses, os valores de pressão arterial têm ficado entre 150 x 100 e 168 x 105 mmHg. Exame físico na consulta: PA: 160 x 100 mmHg (MMSS direito e esquerdo). Exames séricos: hemograma normal; glicemia de jejum: 112 mg/dL; hemoglobina glicada: 5,9%; ureia: 38 mg/dL, creatinina: 1,1 mg/dL, sódio: 138 mEq/L e potássio: 4,2 mEq/L. Urina: normal. Eletrocardiograma: sem alteração relevante. Além de orientações dietéticas e exercício físico, nesse momento, a conduta de escolha é:

Alternativas

  1. A) prescrever atenolol e lisinopril.
  2. B) prescrever anlodipino e losartana.
  3. C) prescrever enalapril e clortalidona.
  4. D) reavaliar em 2 semanas, antes de prescrever um anti-hipertensivo.
  5. E) solicitar o exame de monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA).

Pérola Clínica

Hipertenso com DM e PA >160/100 → Terapia combinada IECA/BRA + diurético tiazídico é 1ª linha.

Resumo-Chave

Pacientes hipertensos com diabetes mellitus e pressão arterial elevada (estágio 2) necessitam de terapia anti-hipertensiva combinada. A combinação de um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueador do receptor de angiotensina (BRA) com um diurético tiazídico é uma escolha de primeira linha, oferecendo proteção renal e cardiovascular.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) e o diabetes mellitus (DM) são comorbidades frequentemente associadas, e sua coexistência aumenta significativamente o risco de eventos cardiovasculares, doença renal crônica e outras complicações micro e macrovasculares. O manejo desses pacientes exige uma abordagem agressiva e multifacetada para o controle da pressão arterial, visando metas mais rigorosas e a proteção de órgãos-alvo. No caso apresentado, o paciente tem 57 anos, DM e HAS com valores de PA consistentemente elevados (150 x 100 a 168 x 105 mmHg), caracterizando hipertensão estágio 2. A presença de diabetes mellitus é um fator de risco cardiovascular adicional que exige início imediato de terapia farmacológica combinada, além das orientações de estilo de vida. A glicemia de jejum e hemoglobina glicada indicam um controle glicêmico razoável, mas a PA descontrolada é a prioridade. A conduta de escolha para pacientes hipertensos com diabetes e PA ≥ 160/100 mmHg (ou estágio 2) é a terapia combinada. As diretrizes atuais recomendam a combinação de um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA) com um diurético tiazídico (como a clortalidona) ou um bloqueador dos canais de cálcio. A combinação de enalapril (IECA) e clortalidona (diurético tiazídico) é uma opção eficaz e bem estabelecida, oferecendo benefícios renais e cardiovasculares importantes para este perfil de paciente. Não há indicação para reavaliar sem tratamento ou solicitar MAPA antes de iniciar a terapia, dado o estágio da hipertensão e a comorbidade.

Perguntas Frequentes

Qual a meta de pressão arterial para pacientes com hipertensão e diabetes?

A meta de pressão arterial para a maioria dos pacientes com hipertensão e diabetes é < 130/80 mmHg, visando reduzir o risco de complicações cardiovasculares e renais.

Por que a combinação de IECA/BRA com diurético tiazídico é preferida em diabéticos hipertensos?

Essa combinação é preferida por sua eficácia na redução da PA, proteção renal (IECA/BRA) e cardiovascular, além de ser bem tolerada e amplamente estudada em pacientes com diabetes.

Quando a monoterapia é apropriada para hipertensão?

A monoterapia pode ser considerada em pacientes com hipertensão estágio 1 (PA 140-159/90-99 mmHg) sem comorbidades ou com baixo risco cardiovascular, após um período de modificações no estilo de vida.

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