Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Paciente com Doença de Crohn, em uso de imunossupressor há 5 anos, refere saída de secreção purulenta ao redor do ânus há 12 dias. Ao exame proctológico nota-se 3 orifícios fistulosos com drenagem espontânea. Colonoscopia mostra presença de úlceras profundas em íleo terminal e reto distal. Ausência de estenose ou tumoração. Optou-se pelo uso de Infliximabe associado ao tratamento cirúrgico. Qual dos procedimentos abaixo NÃO é essencial antes de iniciar a terapia biológica?
Antes de Infliximabe, rastrear TB latente (RX tórax, PPD) e avaliar riscos cardíacos/dermatológicos.
Antes de iniciar terapia biológica como o Infliximabe, é fundamental realizar uma triagem completa para infecções latentes (especialmente tuberculose), avaliar a função cardíaca e realizar dermatoscopia devido aos riscos de reativação de infecções e surgimento de neoplasias cutâneas. Correr e subir escadas não é um exame médico essencial.
A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode levar a complicações graves, como fístulas perianais, estenoses e abscessos. O tratamento frequentemente envolve imunossupressores e, em casos refratários ou com complicações como fístulas, a terapia biológica com agentes anti-TNF, como o Infliximabe, é uma opção eficaz. No entanto, o início da terapia biológica exige uma avaliação pré-tratamento rigorosa para minimizar riscos e otimizar a segurança do paciente. A fisiopatologia da Doença de Crohn envolve uma resposta imune desregulada, e o Infliximabe atua bloqueando o Fator de Necrose Tumoral alfa (TNF-α), uma citocina pró-inflamatória. Embora altamente eficaz, essa imunossupressão sistêmica aumenta o risco de infecções oportunistas e reativação de infecções latentes. O rastreio para tuberculose latente (com Raio X de tórax e PPD ou IGRA) é mandatório, pois a reativação da TB é uma complicação grave. Além disso, a avaliação cardiológica é crucial, pois o Infliximabe é contraindicado ou deve ser usado com cautela em pacientes com insuficiência cardíaca moderada a grave. Outras avaliações importantes incluem a dermatoscopia, devido ao risco aumentado de neoplasias cutâneas, e a triagem para hepatite B e C. O exame neurológico completo não é considerado um procedimento essencial de rotina antes do Infliximabe, a menos que haja sintomas neurológicos pré-existentes. A capacidade física de 'correr e subir escadas' não é um exame médico de rastreio para terapia biológica. Para residentes, a compreensão desses protocolos de segurança é vital para a prática clínica e para evitar complicações graves em pacientes sob terapia imunossupressora.
O Infliximabe, um anti-TNF, aumenta o risco de reativação de tuberculose latente. O rastreio com Raio X de tórax e teste da tuberculina (PPD) ou IGRA é fundamental para identificar e tratar a TB latente antes do início da terapia, prevenindo a doença ativa.
Os principais riscos incluem reações infusionais, infecções graves (especialmente reativação de tuberculose e hepatite B), insuficiência cardíaca congestiva, lúpus induzido por drogas, e um pequeno aumento no risco de linfomas e neoplasias cutâneas.
A avaliação cardiológica é importante porque o Infliximabe pode exacerbar a insuficiência cardíaca congestiva. A dermatoscopia é recomendada devido ao risco aumentado de neoplasias cutâneas (melanoma e não-melanoma) em pacientes em uso de anti-TNF.
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