HIV: Início da TARV e Monitoramento de Carga Viral e CD4

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2021

Enunciado

Sobre a infecção pelo HIV, marque a opção ERRADA:

Alternativas

  1. A) Os principais achados clínicos de síndrome retroviral aguda (SRA) incluem febre, cefaleia, astenia, adenopatia, faringite, exantema e mialgia. A SRA pode cursar com febre alta, sudorese e linfadenomegalia, comprometendo principalmente as cadeias cervicais anterior e posterior, submandibular, occipital e axilar. Podem ocorrer, ainda, esplenomegalia, letargia, astenia, anorexia e depressão.
  2. B) A candidíase oral é um marcador clínico precoce de imunodepressão grave, e foi associada ao subsequente desenvolvimento de pneumonia por Pneumocystis jiroveci. Diarreia crônica e febre de origem indeterminada, bem como a leucoplasia oral pilosa, também são preditores de evolução para aids.
  3. C) A contagem de linfócitos T -CD4+ tem importância na avaliação de vulne rabilidade para infecções oportunistas e indicação de profilaxias, enquanto a carga viral do HIV é considerada o padrão -ouro para definir o início da terapia antirretroviral e monitorar sua eficácia.
  4. D) As neoplasias mais comuns são sarcoma de Kaposi, linfoma não Hodgkin e câncer de colo uterino, em mulheres jovens. Nessas situações, a contagem de linfócitos T -CD4+ situa-se abaixo de 200 céls/mm³, na maioria das vezes. 
  5. E) Para pacientes estáveis, em terapia antirretroviral, com carga viral do HIV indetectável e contagem de linfócitos T-CD4+ acima de 350 céls/mm³, a realização do exame de linfócitos T-CD4+ não traz nenhum benefício ao monitoramento clínico laboratorial. Flutuações laboratoriais e fisiológicas destes linfócitos não têm relevância clínica e podem inclusive levar a erros de conduta, como troca precoce de esquemas terapêuticos ou manutenção de esquemas em falha virológica.

Pérola Clínica

Início TARV para HIV é universal, não apenas por carga viral. CD4 monitora risco oportunista, carga viral monitora eficácia TARV.

Resumo-Chave

A opção incorreta afirma que a carga viral do HIV é o padrão-ouro para definir o início da terapia antirretroviral (TARV). Atualmente, as diretrizes recomendam o início da TARV para *todos* os indivíduos diagnosticados com HIV, independentemente da contagem de CD4 ou carga viral, o mais precocemente possível. A carga viral é essencial para monitorar a eficácia do tratamento, mas não o critério *definidor* para o início da TARV.

Contexto Educacional

A infecção pelo HIV é uma condição crônica que, sem tratamento, leva à imunodeficiência progressiva e à Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). O conhecimento aprofundado sobre o HIV é crucial para todos os profissionais de saúde, dada a sua prevalência e o impacto na saúde pública. Questões sobre diagnóstico, manejo e monitoramento são frequentemente abordadas em exames de residência médica. A fisiopatologia do HIV envolve a infecção de células do sistema imune, principalmente linfócitos T CD4+, levando à sua destruição e à progressiva imunodepressão. O diagnóstico é feito por testes sorológicos e moleculares. A Síndrome Retroviral Aguda (SRA) é a manifestação inicial da infecção, ocorrendo em 50-90% dos casos, com sintomas inespecíficos. O monitoramento da doença é realizado principalmente pela contagem de linfócitos T CD4+ (indicador de imunidade e risco de oportunistas) e pela carga viral do HIV (indicador da replicação viral e resposta ao tratamento). O tratamento da infecção pelo HIV é feito com a Terapia Antirretroviral (TARV), que consiste na combinação de diferentes classes de medicamentos. As diretrizes atuais recomendam o início da TARV para todos os indivíduos diagnosticados com HIV, independentemente do estágio clínico ou da contagem de CD4, o mais precocemente possível. O objetivo da TARV é suprimir a replicação viral a níveis indetectáveis, restaurar a função imunológica, prevenir infecções oportunistas e neoplasias, e melhorar a qualidade e expectativa de vida. O monitoramento regular da carga viral e do CD4 é essencial para avaliar a adesão e a eficácia do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da Síndrome Retroviral Aguda (SRA)?

A SRA, que ocorre nas primeiras semanas após a infecção pelo HIV, manifesta-se com sintomas inespecíficos semelhantes a uma gripe ou mononucleose, incluindo febre, cefaleia, astenia, adenopatia generalizada, faringite, exantema cutâneo e mialgia. É importante suspeitar em pacientes com exposição de risco recente.

Qual a importância da contagem de linfócitos T CD4+ e da carga viral do HIV no manejo da infecção?

A contagem de CD4+ é um marcador da imunodepressão, indicando o risco de infecções oportunistas e a necessidade de profilaxias. A carga viral do HIV mede a quantidade de vírus no sangue e é o principal marcador para monitorar a eficácia da terapia antirretroviral, com o objetivo de atingir a supressão viral (carga viral indetectável).

Quais são as neoplasias mais comuns associadas à infecção pelo HIV?

As neoplasias mais comuns associadas ao HIV são o Sarcoma de Kaposi, o linfoma não Hodgkin (especialmente de células B) e o câncer de colo uterino em mulheres. Essas neoplasias são consideradas definidoras de AIDS e geralmente ocorrem em pacientes com imunodepressão avançada (CD4+ abaixo de 200 céls/mm³).

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