HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2025
Mulher, de 22 anos de idade, procura a Unidade Básica de Saúde um dia após ter sofrido violência sexual. Ela relata que o incidente ocorreu na noite anterior, quando foi abordada pelo agressor enquanto caminhava para casa. A paciente apresentase visivelmente abalada, com sinais de ansiedade e tristeza. Ao exame físico, não há sinais evidentes de lesões físicas, mas a paciente relata dor na região pélvica. Ela menciona que o agressor não utilizou preservativo. A paciente não tem histórico de infecções sexualmente transmissíveis conhecidas e seu último exame ginecológico foi realizado há seis meses, com resultados normais. Ela não faz uso de contraceptivos regulares e está preocupada com a possibilidade de uma gravidez indesejada e infecções. Caso a paciente apresente dois testes rápidos reagentes para HIV em duas amostras seguidas, deve-se solicitar exames gerais e sorologias, solicitar carga viral e contagem de CD4 e iniciar TARV (terapia antirretroviral) com:
HIV confirmado ou PEP → TDF + 3TC + DTG (Esquema preferencial PCDT).
Em pacientes com diagnóstico de HIV (mesmo em contexto de violência) ou para PEP, o esquema de escolha no Brasil combina dois ITRN (Tenofovir e Lamivudina) com um INI (Dolutegravir).
O atendimento à vítima de violência sexual exige uma abordagem multidisciplinar e humanizada. Além do suporte psicológico, a profilaxia de ISTs e gravidez indesejada é prioritária. No caso de confirmação de soropositividade para HIV no momento do atendimento (infecção prévia ou diagnóstico agudo), a Terapia Antirretroviral (TARV) deve ser iniciada imediatamente ("Rapid Start"). O esquema Tenofovir (TDF) 300mg + Lamivudina (3TC) 300mg + Dolutegravir (DTG) 50mg é o padrão-ouro devido à sua posologia simplificada (dose única diária) e eficácia superior aos esquemas baseados em inibidores de protease ou de transcriptase reversa não-análogos de nucleosídeos.
A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é indicada para indivíduos soronegativos que sofreram exposição de risco, devendo ser iniciada em até 72 horas por 28 dias. Já o início da TARV ocorre quando o diagnóstico de infecção pelo HIV é confirmado (como no caso da paciente com dois testes rápidos reagentes). Atualmente, no Brasil, o esquema preferencial para ambos os cenários é o mesmo: TDF + 3TC + DTG, visando alta eficácia e barreira genética elevada.
O Dolutegravir (DTG) é um inibidor da integrase de segunda geração que apresenta alta eficácia na supressão viral, excelente perfil de tolerabilidade (poucos efeitos colaterais) e, crucialmente, uma alta barreira genética contra resistência. Isso significa que o vírus tem dificuldade em desenvolver mutações que anulem o efeito da droga, tornando-o ideal para o início do tratamento antes mesmo dos resultados de genotipagem.
Ao confirmar o diagnóstico e iniciar a TARV, deve-se solicitar: carga viral do HIV, contagem de linfócitos T CD4+, hemograma completo, testes de função renal (creatinina/ureia) e hepática, perfil lipídico, glicemia de jejum, além de sorologias para Sífilis, Hepatites B e C, e Toxoplasmose (IgG). A genotipagem pré-tratamento é indicada em situações específicas, como gestantes ou exposição prévia à PEP.
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