Terapia Antirretroviral: Avanços e Esquemas Atuais

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

A terapia antirretroviral é fundamental no tratamento do HIV, oferecendo intervenções para pessoas com OU sem sintomas, independentemente de sua condição imunológica. Baseia-se em combinações de medicamentos para manter o controle da replicação viral e evitar a progressão da doença. Sobre a terapia antirretroviral, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Zidovudina, primeiro antirretroviral a mostrar eficácia contra o HIV, tem seu uso limitado devido à baixa biodisponibilidade quando ingerida junto aos alimentos, sendo recomendado uma vez ao dia, pela manhã, em jejum.
  2. B) Efavirenz, um dos inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa, tem como característica não apresentar efeitos adversos neurológicos e psiquiátricos, sendo indicado especialmente para essa população.
  3. C) A combinação dolutegravir-lamivudina é aprovada como uma terapia de dois medicamentos e pode ser utilizada em pacientes virgens de tratamento e com insuficiência renal.
  4. D) O fumarato de tenofovir desoproxila (TDF) é reconhecido por melhorar a densidade mineral óssea em pacientes com HIV, estabilizando esse efeito com o uso continuado.

Pérola Clínica

Dolutegravir + Lamivudina (2TC) = Opção inicial em virgens de tratamento com carga viral < 500.000.

Resumo-Chave

A terapia dupla com Dolutegravir e Lamivudina é uma estratégia eficaz e segura para o início do tratamento do HIV em pacientes selecionados, reduzindo a toxicidade a longo prazo.

Contexto Educacional

A Terapia Antirretroviral (TARV) evoluiu de esquemas complexos e tóxicos para combinações de alta potência e melhor tolerabilidade. Atualmente, o Brasil adota o Dolutegravir (inibidor da integrase) como base da primeira linha devido à sua alta barreira genética e poucos efeitos colaterais. A simplificação para terapia dupla (DTG + 3TC) representa um marco na redução da exposição farmacológica crônica. O sucesso da TARV depende da adesão rigorosa para manter a carga viral indetectável, o que impede a progressão para AIDS e elimina o risco de transmissão sexual (Indetectável = Intransmissível). O monitoramento envolve contagem de CD4, carga viral e avaliação periódica de funções renais e hepáticas.

Perguntas Frequentes

Quando usar a combinação Dolutegravir + Lamivudina?

Esta combinação de dois medicamentos (terapia dupla) é indicada para pacientes virgens de tratamento (naïve) que apresentam carga viral pré-tratamento inferior a 500.000 cópias/mL e que não possuem coinfecção pelo vírus da Hepatite B (HBV), uma vez que a lamivudina isolada não é suficiente para tratar o HBV e pode gerar resistência.

Quais os principais efeitos colaterais do Efavirenz?

Diferente do que sugerem alguns erros comuns, o Efavirenz é amplamente conhecido por seus efeitos adversos no Sistema Nervoso Central. Pacientes frequentemente relatam tontura, insônia, sonhos vívidos, pesadelos e, em casos mais graves, depressão ou ideação suicida, o que tem levado à sua substituição pelo Dolutegravir como primeira linha.

O Tenofovir (TDF) causa danos aos ossos?

Sim, o Fumarato de Tenofovir Desoproxila (TDF) está associado a uma diminuição da densidade mineral óssea e ao risco de osteopenia/osteoporose, além de potencial nefrotoxicidade (Síndrome de Fanconi). Por isso, versões mais recentes como o Tenofovir Alafenamida (TAF) foram desenvolvidas para mitigar esses riscos.

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