Suicídio em Adolescentes: Avaliação e Manejo Inicial

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Um adolescente de catorze anos de idade compareceu à consulta ambulatorial, referindo tristeza por término de namoro há duas semanas. Além disso, relatou diminuição no rendimento escolar, há dois meses, por ter muito sono durante as aulas e dificuldade para prestar atenção. Ao exame físico, o médico constatou lesões cicatriciais de ferimentos cortocontusos em ambos os membros superiores. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a conduta que não é recomendada.

Alternativas

  1. A) abordar o paciente em ambiente acolhedor e estimar o risco de tentativa de suicídio 
  2. B) demonstrar compreender as emoções do paciente que motivaram suas ações e verificar transtornos psiquiátricos coexistentes
  3. C) determinar tipo, quantidade e gravidade das lesões e a disposição do paciente para aderir ao tratamento
  4. D) avaliar a data da última vacinação para tétano ou aplicar reforço e checar alguns dados laboratoriais, incluindo pesquisa para anticorpos de hepatite C 
  5. E) notificar a família, internar o paciente e iniciar tratamento específico

Pérola Clínica

Adolescente com automutilação → avaliar risco suicida, acolhimento, investigar comorbidades, não internar rotineiramente.

Resumo-Chave

A abordagem inicial de um adolescente com automutilação e ideação suicida deve focar no acolhimento, avaliação detalhada do risco de suicídio, investigação de transtornos psiquiátricos coexistentes e planejamento terapêutico individualizado. A internação não é uma conduta inicial padrão, mas sim uma medida a ser considerada após avaliação de risco iminente e falha de suporte ambulatorial.

Contexto Educacional

O suicídio e a automutilação em adolescentes representam um grave problema de saúde pública, com incidência crescente e impacto devastador. É fundamental que profissionais de saúde estejam aptos a identificar os sinais de alerta e a realizar uma abordagem inicial adequada, que priorize o acolhimento e a segurança do paciente. A avaliação do risco de suicídio deve ser sistemática e incluir fatores como presença de transtornos mentais, histórico familiar, acesso a meios e eventos estressores. O diagnóstico envolve uma anamnese detalhada, exame psíquico e investigação de comorbidades. A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e psicossociais. É crucial diferenciar a automutilação (muitas vezes um mecanismo de coping) da tentativa de suicídio, embora ambas exijam atenção e intervenção. A avaliação laboratorial e a vacinação antitetânica são importantes para as lesões físicas, enquanto a investigação de hepatite C pode ser relevante em contextos específicos. O tratamento deve ser individualizado, envolvendo psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental, terapia dialética comportamental), farmacoterapia (se houver transtorno psiquiátrico associado) e suporte familiar. A internação não é uma conduta rotineira, mas uma medida de segurança para casos de alto risco. A notificação à família é importante, mas deve ser feita de forma cuidadosa e em conjunto com o paciente, sempre que possível, visando construir uma rede de apoio.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para risco de suicídio em adolescentes?

Os sinais de alerta incluem tristeza persistente, isolamento social, diminuição do rendimento escolar, alterações no sono e apetite, automutilação, verbalização de desesperança ou desejo de morrer, e mudanças súbitas de comportamento.

Qual a conduta inicial para um adolescente com automutilação?

A conduta inicial deve ser acolhedora, com avaliação do risco de suicídio, investigação de transtornos psiquiátricos coexistentes, garantia de segurança, e encaminhamento para acompanhamento psicológico e psiquiátrico. A internação é considerada em casos de alto risco iminente.

Quando a internação é indicada para um adolescente com ideação suicida?

A internação é indicada quando há alto risco iminente de suicídio (planejamento, acesso a meios, falta de suporte familiar), falha de tratamento ambulatorial, ou presença de transtorno psiquiátrico grave que comprometa a segurança do paciente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo