Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020
Um adolescente de catorze anos de idade compareceu à consulta ambulatorial, referindo tristeza por término de namoro há duas semanas. Além disso, relatou diminuição no rendimento escolar, há dois meses, por ter muito sono durante as aulas e dificuldade para prestar atenção. Ao exame físico, o médico constatou lesões cicatriciais de ferimentos cortocontusos em ambos os membros superiores. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a conduta que não é recomendada.
Adolescente com automutilação → avaliar risco suicida, acolhimento, investigar comorbidades, não internar rotineiramente.
A abordagem inicial de um adolescente com automutilação e ideação suicida deve focar no acolhimento, avaliação detalhada do risco de suicídio, investigação de transtornos psiquiátricos coexistentes e planejamento terapêutico individualizado. A internação não é uma conduta inicial padrão, mas sim uma medida a ser considerada após avaliação de risco iminente e falha de suporte ambulatorial.
O suicídio e a automutilação em adolescentes representam um grave problema de saúde pública, com incidência crescente e impacto devastador. É fundamental que profissionais de saúde estejam aptos a identificar os sinais de alerta e a realizar uma abordagem inicial adequada, que priorize o acolhimento e a segurança do paciente. A avaliação do risco de suicídio deve ser sistemática e incluir fatores como presença de transtornos mentais, histórico familiar, acesso a meios e eventos estressores. O diagnóstico envolve uma anamnese detalhada, exame psíquico e investigação de comorbidades. A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e psicossociais. É crucial diferenciar a automutilação (muitas vezes um mecanismo de coping) da tentativa de suicídio, embora ambas exijam atenção e intervenção. A avaliação laboratorial e a vacinação antitetânica são importantes para as lesões físicas, enquanto a investigação de hepatite C pode ser relevante em contextos específicos. O tratamento deve ser individualizado, envolvendo psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental, terapia dialética comportamental), farmacoterapia (se houver transtorno psiquiátrico associado) e suporte familiar. A internação não é uma conduta rotineira, mas uma medida de segurança para casos de alto risco. A notificação à família é importante, mas deve ser feita de forma cuidadosa e em conjunto com o paciente, sempre que possível, visando construir uma rede de apoio.
Os sinais de alerta incluem tristeza persistente, isolamento social, diminuição do rendimento escolar, alterações no sono e apetite, automutilação, verbalização de desesperança ou desejo de morrer, e mudanças súbitas de comportamento.
A conduta inicial deve ser acolhedora, com avaliação do risco de suicídio, investigação de transtornos psiquiátricos coexistentes, garantia de segurança, e encaminhamento para acompanhamento psicológico e psiquiátrico. A internação é considerada em casos de alto risco iminente.
A internação é indicada quando há alto risco iminente de suicídio (planejamento, acesso a meios, falta de suporte familiar), falha de tratamento ambulatorial, ou presença de transtorno psiquiátrico grave que comprometa a segurança do paciente.
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