FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023
Adolescente, 15 anos, gênero feminino, é trazida ao serviço de urgência pelos pais e acompanhada, também, pela professora do colégio. A professora relata que foi chamada pelas colegas, pois a paciente estava sentada sozinha, chorando muito, e não dizia às amigas o motivo do choro. Ao ser questionada pela professora em ambiente acolhedor, revelou que ingeriu cinco comprimidos, não identificados, após briga com a madrasta. O motivo da briga é relação homoafetiva com uma namorada, reprovada e proibida pelos pais. O rastreamento toxicológico foi negativo e o exame físico, normal. Qual é o curso da ação mais apropriado para este caso?
Tentativa de suicídio em adolescente = SEMPRE hospitalizar para avaliação psiquiátrica e garantir segurança.
Toda tentativa de suicídio em adolescente, mesmo que com método de baixa letalidade e sem toxicidade aparente, exige hospitalização para avaliação psiquiátrica e psicossocial completa, garantindo a segurança e o suporte adequado para prevenir novas tentativas.
A tentativa de suicídio em adolescentes é uma emergência psiquiátrica grave que exige uma abordagem imediata e abrangente. A adolescência é um período de intensas transformações físicas, emocionais e sociais, tornando os jovens particularmente vulneráveis a crises de saúde mental. Fatores como conflitos familiares, problemas escolares, questões de identidade (incluindo orientação sexual) e transtornos mentais subjacentes podem precipitar comportamentos suicidas. É crucial que profissionais de saúde reconheçam a seriedade de qualquer tentativa, independentemente da letalidade aparente do método. Mesmo quando o rastreamento toxicológico é negativo e o exame físico é normal, a tentativa de suicídio indica um sofrimento psíquico significativo e um alto risco de reincidência. A conduta mais apropriada é a hospitalização em ambiente seguro, preferencialmente em enfermaria adaptada à faixa etária, para garantir a proteção do adolescente e permitir uma avaliação psiquiátrica e psicossocial completa. Essa avaliação deve identificar fatores de risco e proteção, diagnosticar possíveis transtornos mentais e planejar intervenções terapêuticas adequadas. O manejo deve envolver uma equipe multiprofissional, incluindo psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais, para abordar não apenas a crise aguda, mas também os fatores subjacentes e o contexto familiar e social. A alta hospitalar deve ser planejada com um plano de segurança detalhado, acompanhamento ambulatorial rigoroso e envolvimento familiar, visando a prevenção de futuras tentativas e a promoção da saúde mental do adolescente a longo prazo.
A conduta inicial é garantir a segurança física, realizar avaliação médica completa para descartar danos orgânicos e, crucialmente, hospitalizar para avaliação psiquiátrica e psicossocial, visando a proteção e o início do tratamento.
A hospitalização é vital para proteger o adolescente de novas tentativas, permitir uma avaliação psiquiátrica aprofundada do risco e dos fatores precipitantes, e iniciar um plano terapêutico seguro em um ambiente controlado.
Fatores de risco incluem histórico de transtornos mentais (depressão, ansiedade), conflitos familiares, problemas de relacionamento, bullying, questões de identidade (como orientação sexual) e acesso a meios letais.
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