Tenossinovite de De Quervain: Diagnóstico e Manejo

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

Sra. Mildred, 55 anos, queixa-se que há quase 3 semanas notou dor na mão D quando tenta descascar alimentos. Percebeu que a dor surge principalmente ao apertar o polegar contra os dedos da mão D quando apoia a faca. De história relevante comenta que se aposentou recentemente e tem dedicado grande parte de seu tempo livre navegando na internet e atualizando-se sobre as notícias diárias nas redes sociais. Descobriu que ao dar “likes” as redes oferecem cada vez mais conteúdo sobre o assunto e confessa que já ficou mais de duas horas seguidas fazendo scrolling (palavra que agora domina após a filha alertá-la sobre posições viciosas que podem causar problemas). Ao exame físico apresenta edema discreto e sensibilidade dolorosa na região do processo estiloide do rádio a D. A manobra de Phalen e o sinal de Tinel são negativas, mas refere agudização da dor quando coloca o polegar na palma da mão e fecha os dedos sobre ele. Qual destes diagnósticos é o mais provável frente ao conjunto de informações acima?

Alternativas

  1. A) Trata-se de provável fasceíte palmar.
  2. B) Trata-se de tenossinovite de Quervain.
  3. C) Trata-se de artrite gotosa da primeira articulação metacarpofalangeana.
  4. D) Trata-se de artrite de pequenas articulações, muito provavelmente artrite reumatoide.
  5. E) Trata-se de síndrome do túnel do carpo com provável artrose de punho concomitante.

Pérola Clínica

Dor no estiloide radial + Finkelstein positivo → Tenossinovite de De Quervain.

Resumo-Chave

A tenossinovite de De Quervain afeta o 1º compartimento extensor do punho, sendo comum em atividades de uso repetitivo do polegar, como o uso excessivo de smartphones.

Contexto Educacional

A Tenossinovite de De Quervain é uma condição estenosante que resulta do uso excessivo ou trauma repetitivo do polegar e punho. Historicamente associada a mães que carregam bebês (pela posição de pinça), hoje é frequentemente vista em usuários intensivos de smartphones ('texting thumb' ou 'scrolling thumb'). A fisiopatologia envolve o espessamento do retináculo extensor, o que reduz o espaço disponível para o deslizamento dos tendões ALP e ECP, gerando dor e edema local. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na localização da dor no processo estiloide do rádio e na positividade da manobra de Finkelstein. É fundamental o diagnóstico diferencial com a rizartrose (artrose da base do polegar), a síndrome de intersecção e a síndrome do túnel do carpo. O reconhecimento precoce permite o tratamento conservador eficaz, evitando a cronificação da dor e a perda funcional da mão dominante.

Perguntas Frequentes

Como é realizado o teste de Finkelstein?

O teste de Finkelstein é a manobra diagnóstica clássica para a Tenossinovite de De Quervain. Para realizá-lo, o examinador solicita que o paciente flexione o polegar em direção à palma da mão e feche os demais dedos sobre ele, formando um punho. Em seguida, o examinador realiza um desvio ulnar passivo e suave do punho do paciente. O teste é considerado positivo se o paciente referir uma dor aguda e lancinante na região do primeiro compartimento extensor, especificamente sobre o processo estiloide do rádio. É importante diferenciar a dor provocada pelo teste de um desconforto leve que pessoas saudáveis podem sentir. A dor da tenossinovite é bem localizada e reproduz a queixa principal do paciente durante atividades diárias. A positividade deste teste, associada à história clínica de movimentos repetitivos, confirma o diagnóstico sem necessidade inicial de exames de imagem complexos.

Quais tendões estão envolvidos na Tenossinovite de De Quervain?

A condição envolve a inflamação e o espessamento da bainha sinovial que envolve os tendões localizados no primeiro compartimento extensor do punho. Os dois tendões afetados são o do músculo abdutor longo do polegar (ALP) e o do músculo extensor curto do polegar (ECP). Esses tendões passam por um túnel fibro-ósseo estreito sobre o processo estiloide do rádio. Quando há uso excessivo ou movimentos repetitivos de pinça e desvio ulnar, ocorre um atrito crônico que leva ao espessamento do retináculo extensor e da sinóvia. Esse processo estenosante dificulta o deslizamento suave dos tendões, resultando em dor, edema e, às vezes, crepitação palpável durante o movimento do polegar. A compreensão dessa anatomia é fundamental para a aplicação correta de tratamentos como infiltrações ou cirurgia de liberação.

Qual o tratamento inicial para De Quervain?

O tratamento inicial é eminentemente conservador e foca na redução da inflamação e do atrito mecânico. As medidas incluem: 1) Repouso relativo e modificação de atividades (evitar o movimento causador, como o scrolling excessivo); 2) Uso de órteses de imobilização do polegar (spica splint), que mantêm o polegar e o punho em posição neutra para descansar os tendões; 3) Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) orais ou tópicos para controle da dor aguda; 4) Fisioterapia para alongamento suave e fortalecimento gradual. Em casos que não respondem às medidas iniciais após 3 a 4 semanas, pode-se indicar a infiltração local de corticosteroides, que apresenta altas taxas de sucesso. A cirurgia de liberação do primeiro compartimento extensor é reservada apenas para casos crônicos e refratários a todas as terapias conservadoras.

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