UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019
Operador de máquina em indústria de autopeças. O trabalho consiste em pegar uma peça metálica (1 kg) em uma caixa disposta sobre um palete à sua esquerda, colocá-la dentro do torno de usinagem que está à sua frente, na altura média da linha mamilar. A seguir, fecha a porta por acionamento automático, retira a peça após 5 segundos e a coloca em uma caixa à sua direita. Produção de 1200 peças por turno de 8 horas. O TRABALHO OFERECE RISCO PARA:
Movimentos repetitivos de elevação e abdução do ombro → risco de tendinite de supraespinhal.
O trabalho que envolve movimentos repetitivos do ombro, especialmente elevação e abdução contra resistência, como pegar e posicionar peças pesadas acima da linha da cintura, sobrecarrega o tendão do supraespinhal. Essa sobrecarga crônica pode levar à inflamação e degeneração do tendão, resultando em tendinite de supraespinhal, uma das lesões mais comuns do manguito rotador em contextos ocupacionais.
As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) são um grupo de condições que afetam músculos, tendões, nervos e articulações, causadas ou agravadas por atividades laborais repetitivas, posturas inadequadas ou sobrecarga. O ombro é uma das regiões mais frequentemente acometidas, e a tendinite de supraespinhal é uma das patologias mais comuns do manguito rotador nesse contexto. A epidemiologia mostra uma alta prevalência em trabalhadores que realizam tarefas manuais repetitivas, especialmente aquelas que envolvem elevação e abdução dos braços. A fisiopatologia da tendinite de supraespinhal em contextos ocupacionais está relacionada à sobrecarga mecânica crônica. O tendão do supraespinhal, que passa sob o acrômio, pode sofrer microtraumas repetitivos, inflamação e degeneração devido ao atrito e compressão durante movimentos repetitivos de elevação e abdução do braço. O cenário descrito na questão, com o operador levantando e posicionando uma peça de 1 kg, 1200 vezes por turno, ilustra perfeitamente essa sobrecarga. O diagnóstico é clínico, baseado na história ocupacional, exame físico com testes específicos para o manguito rotador e, por vezes, exames de imagem como ultrassonografia ou ressonância magnética. O tratamento envolve repouso relativo, fisioterapia, uso de anti-inflamatórios e, em casos refratários, infiltrações ou cirurgia. A prevenção é a medida mais eficaz e inclui a implementação de medidas ergonômicas no ambiente de trabalho, como ajuste da altura das bancadas, uso de dispositivos de auxílio, pausas regulares, rotação de tarefas e programas de ginástica laboral. A conscientização sobre a importância da ergonomia e da saúde ocupacional é fundamental para reduzir a incidência dessas lesões.
Fatores de risco ocupacionais incluem movimentos repetitivos do ombro, elevação de braços acima da altura dos ombros, trabalho com cargas pesadas, posturas inadequadas, vibração e falta de pausas. O cenário descrito na questão, com elevação e posicionamento de peças de 1 kg por 1200 vezes em 8 horas, é um exemplo clássico.
O músculo supraespinhal é um dos músculos do manguito rotador, responsável pela abdução inicial do braço e estabilização da articulação do ombro. Ele é vulnerável a lesões porque seu tendão passa por um espaço estreito (espaço subacromial), tornando-o suscetível a compressão e atrito durante movimentos repetitivos, especialmente elevação e abdução.
A prevenção envolve medidas ergonômicas, como ajuste da altura das estações de trabalho, uso de equipamentos auxiliares para levantar cargas, rotação de tarefas para evitar movimentos repetitivos prolongados, pausas regulares, treinamento sobre posturas corretas e exercícios de fortalecimento e alongamento.
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