Telarca Precoce Isolada: Quando Tranquilizar e Acompanhar

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2023

Enunciado

Raquel, 1 ano e 6 meses, ainda em aleitamento materno e sem uso regular de medicações, é levada a consulta de puericultura. Sua mãe demonstra grande preocupação com o discreto aumento do volume das mamas da criança. No exame físico: EGBom, ativa, com peso e altura no Z-Score +1. Tanner M2/P1. PA: 80:45 mmHg. Genitália feminina e típica. Assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) O pediatra deverá tranquilizar a mãe e seguir nas consultas de puericultura.
  2. B) O pediatra deverá solicitar a dosagem de 17 alfa-hidroxiprogesterona e diidroepiandrostenediona.
  3. C) O pediatra deverá solicitar um exame de neuroimagem para avaliar a hipófise.
  4. D) O pediatra deverá solicitar tomografia da pelve para avaliar útero e ovários.
  5. E) O pediatra deverá interrogar a mãe sobre a idade da sua menarca e deverá dosar FSH e LH em Raquel.

Pérola Clínica

Telarca isolada em < 2 anos, sem outros sinais puberais ou aceleração de crescimento, é benigna e não requer investigação.

Resumo-Chave

A telarca precoce isolada, caracterizada pelo desenvolvimento mamário antes dos 8 anos em meninas, sem outros sinais de puberdade (pubarca, aceleração do crescimento, menarca) e com idade óssea compatível com a idade cronológica, é uma condição benigna comum em lactentes e pré-escolares, especialmente antes dos 2 anos de idade. Nesses casos, a conduta é tranquilizar os pais e acompanhar clinicamente.

Contexto Educacional

A telarca precoce isolada é uma condição benigna e relativamente comum na pediatria, caracterizada pelo desenvolvimento de tecido mamário em meninas antes da idade esperada para o início da puberdade (8 anos), sem outros sinais de desenvolvimento sexual secundário. É mais frequente em lactentes e pré-escolares, especialmente antes dos 2 anos de idade, e geralmente é transitória ou não progressiva. A importância clínica reside na necessidade de diferenciá-la da puberdade precoce verdadeira, que requer investigação e tratamento. A fisiopatologia da telarca precoce isolada não é completamente compreendida, mas acredita-se que envolva uma sensibilidade aumentada do tecido mamário aos estrogênios circulantes em níveis pré-puberais ou flutuações transitórias dos hormônios gonadotróficos. O diagnóstico é clínico, baseado na ausência de outros sinais puberais (pubarca, aceleração do crescimento, menarca), idade óssea compatível com a idade cronológica e ausência de sinais de virilização. Exames complementares como dosagens hormonais (FSH, LH, estradiol) e ultrassonografia pélvica geralmente são normais ou mostram achados pré-puberais. A conduta é expectante, com acompanhamento clínico regular para monitorar a progressão do desenvolvimento mamário e o surgimento de outros sinais puberais. O tratamento não é necessário, e o prognóstico é excelente, com regressão espontânea ou estabilização do quadro na maioria dos casos, sem impacto na altura final ou na função reprodutiva.

Perguntas Frequentes

O que é telarca precoce isolada e como diferenciá-la da puberdade precoce verdadeira?

A telarca precoce isolada é o desenvolvimento mamário antes dos 8 anos em meninas, sem outros sinais de puberdade (pubarca, aceleração do crescimento, menarca). A puberdade precoce verdadeira envolve o desenvolvimento de múltiplos caracteres sexuais secundários, com ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal e aceleração da idade óssea.

Quais exames complementares são indicados na suspeita de puberdade precoce?

Em casos de suspeita de puberdade precoce verdadeira, a investigação inclui dosagens hormonais (FSH, LH basal e após GnRH, estradiol), idade óssea, e, dependendo do quadro, ultrassonografia pélvica e neuroimagem (RM de sela túrcica).

Qual a importância da idade da menarca da mãe no contexto da avaliação puberal da filha?

A idade da menarca materna pode indicar uma tendência familiar para puberdade mais precoce ou tardia, sendo um dado relevante na anamnese. No entanto, não é um fator isolado para determinar a necessidade de investigação em casos de telarca isolada.

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