SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Rhaissa de 6 anos é avaliada em consulta de pediatria, sendo identificada telarca com Tanner M2P1 à direita e M1P1 à esquerda. Genitora e criança negavam queixas. Esta apresentava crescimento e desenvolvimento compatíveis com idade e sexo, bem como velocidade de crescimento normal. Não foram observados sinais clínicos de virilização, sendo ausentes os pelos pubianos e axilares. Foi solicitada radiografia de mãos e punhos, confirmando compatibilidade entre idade óssea e idade cronológica. Qual a sua orientação diante do caso?
Telarca isolada + Idade Óssea normal + Velocidade de Crescimento normal → Acompanhamento clínico trimestral.
A telarca precoce isolada é uma variante benigna do desenvolvimento puberal, mas exige vigilância periódica para detectar precocemente a evolução para puberdade precoce verdadeira.
A telarca precoce isolada ocorre mais frequentemente entre os 6 meses e 3 anos de idade e novamente próximo aos 6-8 anos. É considerada uma variante do desenvolvimento normal onde há uma sensibilidade aumentada do tecido mamário a níveis baixos de estrogênio circulante ou picos transitórios de FSH. O diagnóstico é eminentemente clínico e auxiliado pela radiografia de punho para idade óssea. O manejo foca na observação. A conduta expectante com reavaliações a cada 3 a 6 meses permite identificar as pacientes que 'atravessam' para a puberdade precoce central. Nestes casos, a intervenção com análogos de GnRH pode ser necessária para preservar o potencial de estatura final e mitigar impactos psicossociais.
A telarca precoce isolada é caracterizada pelo desenvolvimento mamário sem outros sinais de puberdade, como aceleração da velocidade de crescimento ou avanço da idade óssea. Na puberdade precoce verdadeira, há ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, resultando em crescimento acelerado, avanço da idade óssea e, eventualmente, outros caracteres sexuais secundários. O acompanhamento clínico é fundamental para distinguir as duas condições, pois a telarca isolada pode ser o primeiro sinal de uma puberdade precoce em evolução.
O acompanhamento trimestral é recomendado para monitorar rigorosamente a velocidade de crescimento e a progressão do estadiamento de Tanner. Se houver um aumento súbito na velocidade de crescimento ou progressão rápida das mamas, o médico deve suspeitar de puberdade precoce central e iniciar a investigação laboratorial com dosagem de gonadotrofina e esteroides sexuais, além de repetir a idade óssea.
A ressonância magnética de crânio está indicada apenas quando há diagnóstico confirmado de puberdade precoce central (eixo ativado) em meninas, especialmente naquelas com início muito precoce (antes dos 6 anos) ou com sinais neurológicos, para excluir lesões no sistema nervoso central. Em casos de telarca isolada com idade óssea e crescimento normais, a RM não é necessária.
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