Hérnias Inguinais: Técnicas Cirúrgicas e Diferenças

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020

Enunciado

Sobre o tratamento cirúrgico das hérnias inguinais, não podemos afirmar:

Alternativas

  1. A) Sendo as hérnias inguinais da criança, em sua grande maioria, do tipo indireta, sua correção cirúrgica consiste em ligadura alta do saco herniário.
  2. B) A técnica de Mc Vay é indicada no tratamento da hérnia femoral.
  3. C) A técnica de Shouldice é uma das técnicas com menor índice de recidiva por ser livre de tensão na sutura dos 4 planos de sutura das estruturas musculares - aponeuróticas.
  4. D) Na técnica de Lichtenstein, a sutura da tela de polipropileno é feita sem tensão ao longo do ligamento inguinal inferiormente e no tendão conjunto e sob o músculo oblíquo interno.

Pérola Clínica

Técnica de Shouldice para hérnia inguinal é reparo com tensão, suturando 4 planos musculares-aponeuróticos, não é livre de tensão.

Resumo-Chave

A técnica de Shouldice é um reparo de hérnia inguinal que envolve a sutura de múltiplos planos de tecido muscular e aponeurótico, sendo, portanto, uma técnica com tensão. A afirmação de que é 'livre de tensão' está incorreta, pois as técnicas livres de tensão geralmente utilizam telas protéticas, como na técnica de Lichtenstein, para reforçar a parede posterior do canal inguinal sem estresse nos tecidos.

Contexto Educacional

O tratamento cirúrgico das hérnias inguinais é um dos procedimentos mais comuns na cirurgia geral, com diversas técnicas desenvolvidas ao longo do tempo. A escolha da técnica depende de fatores como o tipo de hérnia (direta, indireta, femoral), idade do paciente, comorbidades e experiência do cirurgião. Em crianças, a grande maioria das hérnias inguinais é do tipo indireta, decorrente da persistência do processo vaginal. Nesses casos, a correção cirúrgica consiste primariamente na ligadura alta do saco herniário, com excelentes resultados e baixa taxa de recidiva. Em adultos, as técnicas de reparo podem ser classificadas em reparos com tensão e reparos livres de tensão. A técnica de Shouldice é um exemplo clássico de reparo com tensão, que envolve a sutura de quatro planos de estruturas musculares e aponeuróticas para reconstruir a parede posterior do canal inguinal. Embora tenha bons resultados, a tensão na sutura pode contribuir para a dor pós-operatória e, em alguns casos, para a recidiva. Em contraste, a técnica de Lichtenstein é o padrão-ouro para reparos livres de tensão, utilizando uma tela de polipropileno para reforçar a parede posterior sem estresse nos tecidos, o que resulta em menor dor e menor taxa de recidiva. A técnica de McVay, por sua vez, é uma opção para o reparo de hérnias femorais, onde o tendão conjunto é suturado ao ligamento de Cooper. Para o residente, é crucial compreender as indicações, os princípios anatômicos e as vantagens e desvantagens de cada técnica, especialmente a diferença entre reparos com e sem tensão, para otimizar os resultados cirúrgicos e minimizar as complicações. A afirmação de que a técnica de Shouldice é livre de tensão é incorreta, sendo um ponto importante a ser dominado para provas e prática clínica.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença entre a técnica de Shouldice e a de Lichtenstein?

A principal diferença é que a técnica de Shouldice é um reparo com tensão, que envolve a sutura de múltiplos planos de tecidos musculares e aponeuróticos. Já a técnica de Lichtenstein é um reparo livre de tensão, que utiliza uma tela de polipropileno para reforçar a parede posterior do canal inguinal, minimizando o risco de recidiva.

Por que as hérnias inguinais em crianças são predominantemente indiretas?

As hérnias inguinais em crianças são quase sempre indiretas porque resultam da persistência do processo vaginal, uma evaginação do peritônio que acompanha o testículo em sua descida. Em adultos, as hérnias diretas são mais comuns e resultam do enfraquecimento da parede posterior do canal inguinal.

Quando a técnica de McVay é indicada no tratamento de hérnias?

A técnica de McVay (ou Cooper) é classicamente indicada para o tratamento de hérnias femorais, onde o ligamento de Cooper é utilizado para suturar o tendão conjunto, reforçando a região do anel femoral. Pode ser usada também em hérnias inguinais diretas grandes ou recidivadas.

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