PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025
Uma mulher de 53 anos se apresenta na sua clínica com queixa de protuberância abdominal e desconforto ocasional. Diz que a protuberância piora quando fica em pé, causa dor ao longo do dia, quando ela está ativa, e parece estar aumentando ao longo do último ano. A paciente não apresenta sintomas obstrutivos neste momento. Tem um histórico de uma laparotomia mediana para trauma há 10 anos e um reparo de hérnia ventral há seis anos, com tela sintética. Teve um episódio de celulite no pós-operatório que foi tratado com antibióticos orais. A paciente tem diabetes, que é controlado com medicamentos orais, e, no mais, é saudável. No exame físico, tem um grande defeito abdominal palpável. A tomografia computadorizada revelou um defeito mediano de 6 cm, contendo omento e intestino delgado, bem como dois defeitos adicionais de 1cm, superiormente ao primeiro e sem evidência de obstrução.\n\nQual é a localização do espaço avascular criado durante a técnica de separação de componentes?
Técnica de Ramirez → Incisão da aponeurose do oblíquo externo e descolamento entre oblíquo externo e interno.
A separação de componentes (Ramirez) utiliza o plano avascular entre os músculos oblíquos externo e interno para mobilizar o complexo reto-fáscia medialmente.
A técnica de separação de componentes, descrita originalmente por Ramirez em 1990, revolucionou o tratamento de hérnias incisionais gigantes. A base anatômica da técnica é a existência de um plano de deslizamento avascular entre o músculo oblíquo externo e o músculo oblíquo interno. Ao seccionar a aponeurose do oblíquo externo lateralmente ao músculo reto, o cirurgião consegue 'soltar' a parede abdominal lateral da medial.\n\nEssa manobra permite um avanço medial de até 10 cm em cada lado na região umbilical, facilitando a restauração da linha média. É crucial que a dissecção não avance para o plano profundo ao músculo oblíquo interno, pois é nesse espaço (plano transverso abdominal) que caminham os nervos intercostais responsáveis pela inervação motora do músculo reto abdominal; sua lesão levaria à atrofia muscular e fraqueza da parede.
O objetivo é permitir o fechamento de grandes defeitos da linha média (hérnias incisionais complexas) sem tensão excessiva, através da mobilização medial dos músculos retos abdominais após a liberação das fixações laterais dos músculos oblíquos.
A incisão é realizada na aponeurose do músculo oblíquo externo, aproximadamente 1 a 2 cm lateralmente à linha semilunar, estendendo-se da margem costal até o púbis.
As complicações mais frequentes incluem a formação de seromas, hematomas e isquemia de retalhos cutâneos, devido ao amplo descolamento subcutâneo necessário na técnica aberta clássica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo