HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2025
Assinale a alternativa correta com relação à técnica de uso do guia bougie:
Uso do bougie: laringoscopia com a melhor visão possível, ponta angulada (coudé) para cima (anterior) para passar sob a epiglote.
O guia bougie é um dispositivo eficaz para intubação em vias aéreas difíceis, especialmente com visualização glótica limitada (Cormack-Lehane II-III). A técnica correta exige manter a laringoscopia, direcionar a ponta angulada anteriormente e confirmar o posicionamento traqueal por feedback tátil (cliques traqueais ou 'hold-up').
O guia elástico de goma, conhecido como 'bougie', é uma ferramenta indispensável no arsenal para o manejo da via aérea difícil. Trata-se de um estilete fino e flexível, com uma ponta angulada (ponta coudé), projetado para facilitar a intubação endotraqueal quando a visualização da glote durante a laringoscopia direta é inadequada. Seu uso é mais indicado em cenários de visualização Cormack-Lehane grau II ou III, onde o operador consegue visualizar a epiglote, mas não as cordas vocais. A técnica correta envolve realizar a laringoscopia para obter a melhor visualização possível e, em seguida, introduzir o bougie com a ponta angulada voltada para cima (anteriormente), deslizando-o pela face posterior da epiglote. A confirmação do posicionamento traqueal é feita através de feedback tátil: a sensação dos 'cliques' da ponta do guia passando sobre os anéis traqueais ou a parada abrupta ('hold-up') ao atingir a via aérea distal. Uma vez confirmado o posicionamento, o laringoscópio é mantido em posição enquanto um assistente desliza o tubo endotraqueal sobre o bougie, utilizando-o como um guia (técnica de Seldinger). Uma rotação anti-horária de 90 graus do tubo pode facilitar sua passagem pelas cordas vocais. Após a intubação, o bougie é removido e a posição do tubo é confirmada pelos métodos habituais, como a capnografia.
O bougie é especialmente útil em visualizações de Cormack-Lehane grau II (apenas parte das cordas vocais visível) e, principalmente, grau III (apenas a epiglote visível). Ele permite que o operador passe o guia 'às cegas' sob a epiglote em direção à traqueia. No grau IV (nenhuma estrutura glótica visível), seu uso é mais arriscado.
A confirmação é primariamente tátil. Ao avançar o bougie, o operador pode sentir os 'cliques' ou 'ressaltos' da ponta passando sobre os anéis cartilaginosos da traqueia. Outro sinal é o 'hold-up', quando o guia para ao atingir a carina ou um brônquio menor, geralmente entre 25-40 cm de profundidade, algo que não ocorre no esôfago.
Manter a laringoscopia e a elevação da epiglote durante a passagem do tubo endotraqueal sobre o bougie ajuda a criar um caminho mais retilíneo e evita que a ponta do tubo se prenda nas aritenoides ou em outras estruturas laríngeas, facilitando a progressão do tubo para a traqueia.
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