Técnica de Bassini: Reparo de Hérnia Inguinal Indireta

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 16 anos, apresenta quadro de hérnia inguinal direita, do tipo indireta, sintomática. O cirurgião optou pela realização da Técnica de Bassini para a correção dessa hérnia. Assinale a alternativa que melhor descreva a execução dessa técnica.

Alternativas

  1. A) aproximação e sutura do arco aponeurótico do músculo transverso ao ligamento de Cooper com pontosseparados, até a altura dos vasos femorais.
  2. B) aproximação com sutura do músculo oblíquo interno, do arco aponeurótico do músculo transverso e da fáscia transversal ao trato iliopúbico e ligamento inguinal.
  3. C) imbricação em jaquetão dos dois folhetos criados com a abertura da fáscia transversal através de dois planos superpostos de sutura contínua.
  4. D) implante de uma tela por meio de suturas contínuas no tecido aponeurótico que recobre o tubérculo púbico e no ligamento inguinal e por suturas descontínuas no espessamento conjunto.

Pérola Clínica

Técnica de Bassini = sutura do oblíquo interno + arco do transverso + fáscia transversal ao ligamento inguinal.

Resumo-Chave

A técnica de Bassini é um método de reparo de hérnia inguinal que envolve a reconstrução da parede posterior do canal inguinal. Ela se baseia na aproximação e sutura de estruturas musculares e aponeuróticas (músculo oblíquo interno, arco aponeurótico do músculo transverso e fáscia transversal) ao ligamento inguinal (de Poupart) e ao trato iliopúbico.

Contexto Educacional

A hérnia inguinal é uma condição cirúrgica comum, e diversas técnicas foram desenvolvidas para seu reparo. A técnica de Bassini, descrita por Edoardo Bassini em 1887, representa um marco na cirurgia de hérnia, sendo uma das primeiras a sistematizar o reparo anatômico da parede posterior do canal inguinal. Embora técnicas com tela (como Lichtenstein) sejam mais prevalentes hoje, o conhecimento da Bassini é fundamental para a compreensão da evolução e dos princípios do reparo herniário. A execução da técnica de Bassini envolve a dissecção do saco herniário, sua ligadura e ressecção, seguida pela reconstrução da parede posterior do canal inguinal. O ponto-chave é a sutura do tendão conjunto (formado pelo músculo oblíquo interno e arco aponeurótico do músculo transverso, juntamente com a fáscia transversal) ao ligamento inguinal (de Poupart) e ao trato iliopúbico. Essa sutura cria uma nova parede posterior mais resistente, visando prevenir a recidiva da hérnia. Embora eficaz, a técnica de Bassini é considerada uma reparação 'sob tensão', o que pode levar a maior dor pós-operatória e, em alguns estudos, a taxas de recidiva ligeiramente maiores em comparação com as técnicas 'tension-free' com tela. Contudo, ainda é uma técnica válida e ensinada, especialmente em contextos onde o uso de material protético pode ser problemático, como em infecções ou em pacientes jovens selecionados. Residentes devem dominar a anatomia inguinal para executar e compreender essa e outras técnicas.

Perguntas Frequentes

Qual a principal característica da técnica de Bassini?

A técnica de Bassini é caracterizada pela reconstrução da parede posterior do canal inguinal através da aproximação e sutura do músculo oblíquo interno, do arco aponeurótico do músculo transverso e da fáscia transversal ao ligamento inguinal e trato iliopúbico.

Em que tipo de hérnia inguinal a técnica de Bassini é mais indicada?

A técnica de Bassini pode ser utilizada tanto para hérnias inguinais diretas quanto indiretas, embora hoje seja menos comum que técnicas com tela. É uma opção para pacientes selecionados, especialmente quando o uso de tela é contraindicado.

Quais as diferenças entre a técnica de Bassini e a de Lichtenstein?

A principal diferença é que Bassini é uma técnica de reparo tecidual, utilizando apenas os tecidos do paciente para reforçar a parede posterior. Lichtenstein, por outro lado, é uma técnica 'tension-free' que utiliza uma tela protética para reforçar a parede, sendo atualmente mais comum devido às menores taxas de recidiva e dor pós-operatória.

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