ENARE/ENAMED — Prova 2025
Uma menina de 2 anos é trazida à emergência porque sofreu trauma de crânio após queda da cama dos pais (altura de 50 cm), há 30 minutos. Apresentou um episódio de vômito após a queda, mas não teve alteração no nível de consciência. No momento pontua 15 na escala de coma de Glasgow e está sintomática A conduta correta, nesse caso é:
TCE leve em < 2 anos + 1 vômito isolado + Glasgow 15 → Observação clínica (2-6h) é a conduta inicial.
Crianças com trauma craniano de baixo risco podem ser observadas clinicamente para evitar a exposição desnecessária à radiação da tomografia, conforme os critérios PECARN.
O manejo do TCE na infância exige equilíbrio entre diagnosticar lesões intracranianas graves e proteger o cérebro em desenvolvimento da radiação. A tomografia de crânio em crianças pequenas aumenta o risco vitalício de neoplasias induzidas por radiação. No caso de uma criança de 2 anos com Glasgow 15 e apenas um episódio de vômito após queda de baixa altura (50 cm), o risco de lesão intracraniana importante é inferior a 1%. A observação clínica por um período curto (2 a 4 horas) é uma estratégia segura e eficaz; se a criança permanecer assintomática e ativa durante esse período, a alta com orientações para os pais é a conduta mais adequada.
O PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network) é uma regra de decisão clínica validada para identificar crianças com risco muito baixo de Lesão Cerebral Clinicamente Importante (LCCI) após um TCE. Ele divide as crianças em dois grupos: menores de 2 anos e maiores de 2 anos. Os critérios avaliam estado mental, presença de fratura de crânio palpável, perda de consciência, mecanismo de trauma grave e comportamento dos pais. Se a criança preenche critérios de baixo risco, a observação clínica é recomendada em vez da TC, reduzindo a exposição à radiação ionizante.
Não. Nos critérios PECARN para crianças menores de 2 anos, o vômito isolado, na ausência de outros sinais de alerta (como alteração do estado mental, hematoma não frontal ou mecanismo grave), coloca a criança em um grupo de risco intermediário. Nesses casos, a decisão entre observação clínica ou TC depende da experiência do médico, da progressão dos sintomas e da preferência dos pais. Frequentemente, uma observação de 2 a 6 horas no pronto-socorro é suficiente para descartar deterioração.
A TC de crânio imediata é indicada se houver: Escala de Coma de Glasgow < 15, sinais de fratura de base de crânio (olhos de guaxinim, sinal de Battle, hemotímpano), alteração óbvia do estado mental (agitação, sonolência excessiva, resposta lenta) ou presença de abaulamento/fratura palpável (especialmente em menores de 2 anos). Mecanismos de trauma de alta energia, como quedas de grandes alturas ou acidentes automobilísticos graves, também baixam o limiar para a realização do exame.
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