TCE Pediátrico Grave: Manejo da Via Aérea e Intubação

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025

Enunciado

No que diz respeito ao traumatismo crânio encefálico (TCE) na população pediátrica, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O sinal do Guaxinim (equimose periorbital) representa trauma orbital direto e, por si só, não configura indicação para a realização de tomografia computadorizada.
  2. B) Hematoma epidural é a presença no espaço subdural e, geralmente, dá‑se por sangramento venoso, espalhando‑se pelo hemisfério cerebral.
  3. C) A tomografia computadorizada está indicada em todos os casos de TCE na infância, inclusive os leves que são assintomáticos.
  4. D) Todos os pacientes com TCE grave (escala de coma de Glasgow menor que nove) necessitam de intubação orotraqueal e ventilação mecânica.
  5. E) A escala de coma de Glasgow é um importante critério de avaliação de gravidade no TCE, e pontuações acima de 15 indicam maior gravidade.

Pérola Clínica

TCE grave (ECG < 9) em pediatria → intubação orotraqueal e ventilação mecânica para proteção de via aérea e otimização cerebral.

Resumo-Chave

Em traumatismos cranioencefálicos graves na população pediátrica, uma Escala de Coma de Glasgow (ECG) menor que 9 indica comprometimento significativo da consciência e do controle das vias aéreas. Nesses casos, a intubação orotraqueal e a ventilação mecânica são mandatórias para garantir a oxigenação cerebral adequada, prevenir aspiração e controlar a pressão intracraniana, sendo uma medida vital para a sobrevida e prognóstico.

Contexto Educacional

O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma causa significativa de morbimortalidade na população pediátrica, exigindo um manejo cuidadoso e específico. As crianças apresentam particularidades anatômicas e fisiológicas que as tornam mais vulneráveis a certos tipos de lesões e a descompensação mais rápida. A avaliação da gravidade do TCE em crianças é crucial para guiar a conduta, e a Escala de Coma de Glasgow (ECG) é uma ferramenta essencial, com adaptações para lactentes e crianças pequenas. No TCE grave, definido por uma ECG menor que 9, há um alto risco de comprometimento da via aérea e da ventilação, além de elevação da pressão intracraniana. A hipóxia e a hipercapnia são fatores que podem agravar a lesão cerebral secundária, piorando o prognóstico. Portanto, em pacientes pediátricos com TCE grave (ECG < 9), a intubação orotraqueal e a ventilação mecânica são medidas mandatórias e prioritárias. Elas garantem a proteção da via aérea, otimizam a oxigenação e a ventilação (mantendo normocapnia), e auxiliam no controle da pressão intracraniana, minimizando danos secundários ao cérebro. É fundamental que residentes de pediatria e emergência dominem essa conduta para assegurar o melhor desfecho possível para essas crianças.

Perguntas Frequentes

Quais são as particularidades da Escala de Coma de Glasgow em pediatria?

A Escala de Coma de Glasgow pediátrica é adaptada para crianças menores de 2 anos, com pontuações específicas para a resposta verbal (ex: choro inconsolável, sons ininteligíveis) e motora, mas o princípio de avaliação da consciência é o mesmo.

Por que o hematoma epidural é geralmente arterial e o subdural venoso?

O hematoma epidural resulta tipicamente do sangramento da artéria meníngea média, localizado entre a dura-máter e o crânio, com formato biconvexo. O hematoma subdural é geralmente venoso, de veias ponte, localizado entre a dura-máter e a aracnoide, espalhando-se sobre o cérebro com formato de crescente.

Em quais casos de TCE pediátrico a tomografia computadorizada é indicada?

A TC está indicada em TCE pediátrico moderado a grave (ECG < 13), em TCE leve com sinais de alerta (perda de consciência prolongada, vômitos repetidos, cefaleia intensa, convulsão, sinais de fratura de crânio) ou em crianças menores com mecanismo de trauma de alto risco e/ou sinais de lesão. Não é indicada em todos os casos assintomáticos de TCE leve.

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