CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Paciente em tratamento de glaucoma com colírios hipotensores retorna referindo excessiva sonolência e boca seca. Qual colírio é o mais provável causador deste efeito colateral?
Brimonidina (alfa-2 agonista) → atravessa barreira hematoencefálica → sonolência e boca seca.
A brimonidina é um agonista alfa-2 que, devido à sua lipossolubilidade, pode causar efeitos colaterais no SNC como sonolência e fadiga, além de xerostomia.
O manejo farmacológico do glaucoma envolve diversas classes de drogas, cada uma com perfis de segurança distintos. Os agonistas alfa-2 adrenérgicos, como a brimonidina, reduzem a pressão intraocular por um mecanismo duplo: diminuem a produção de humor aquoso e aumentam o escoamento uveoscleral. Apesar de sua eficácia, a absorção sistêmica via mucosa nasolacrimal pode levar a efeitos adversos significativos. Na prática clínica, ao identificar um paciente com glaucoma apresentando sintomas inespecíficos como boca seca e sonolência excessiva, o médico deve revisar a prescrição de colírios. A substituição por análogos de prostaglandinas ou inibidores da anidrase carbônica pode ser necessária se a tolerabilidade for baixa, garantindo a adesão ao tratamento e a preservação do campo visual.
A brimonidina é um agonista alfa-2 adrenérgico altamente seletivo e lipossolúvel. Essa característica permite que a droga atravesse a barreira hematoencefálica e atue em receptores centrais, reduzindo a liberação de noradrenalina. O resultado clínico é uma depressão leve do sistema nervoso central, manifestando-se como sonolência, fadiga e letargia. Esse efeito é particularmente pronunciado em crianças pequenas, onde pode causar depressão respiratória grave, sendo contraindicada em menores de 2 anos, e em idosos poliqueixosos.
Além da sonolência e fadiga por ação central, a brimonidina frequentemente causa xerostomia (boca seca) devido à ativação de receptores alfa-2 nas glândulas salivares. Localmente, pode provocar conjuntivite alérgica folicular em até 30% dos usuários crônicos, hiperemia ocular e ardor. Sistemicamente, também pode ocorrer hipotensão arterial e bradicardia, embora em menor escala que os betabloqueadores. É fundamental monitorar pacientes com doenças cardiovasculares graves ou insuficiência cerebral.
Sim. A contraindicação absoluta mais importante é o uso em crianças menores de 2 anos devido ao risco de depressão do SNC e parada respiratória. Também é contraindicada em pacientes em uso de inibidores da monoaminoxidase (IMAO), pois pode precipitar crises hipertensivas ou potencializar a sedação. Deve ser usada com cautela em pacientes com depressão, insuficiência coronariana, fenômeno de Raynaud ou hipotensão ortostática, devido ao seu perfil de ação simpaticolítica central.
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