MedEvo Simulado — Prova 2025
Uma recém-nascida, com 39 semanas de idade gestacional, nasceu por parto cesáreo eletivo, sem intercorrências pré-natais. Apresentou Apgar de 8 no 1º minuto e 9 no 5º minuto, com peso de 3100g. Nas primeiras horas de vida, desenvolveu desconforto respiratório leve a moderado, caracterizado por taquipneia (frequência respiratória de 70 irpm), gemência e batimento de aletas nasais. A ausculta pulmonar revelou murmúrio vesicular presente bilateralmente, sem ruídos adventícios. A frequência cardíaca era de 140 bpm, com pulsos normais. A saturação de oxigênio em ar ambiente era de 88%, sendo iniciada oxigenioterapia por cateter nasal. A radiografia de tórax mostrou hiperinsuflação pulmonar, discreto aumento da trama vascular perihilar e, em algumas áreas, líquido nas fissuras. Com 36 horas de vida, a bebê demonstrou melhora clínica significativa, com frequência respiratória de 45 irpm e saturação de oxigênio de 97% em ar ambiente. Qual o mecanismo fisiopatológico mais provável para o quadro apresentado?
RN a termo, cesárea eletiva, desconforto respiratório leve-moderado, melhora em 36-48h, RX com hiperinsuflação e líquido fissural → TTRN.
A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN) é comum em RNs de cesariana eletiva, devido ao retardo na reabsorção do líquido pulmonar fetal. A ausência do 'aperto' do parto vaginal impede a expulsão mecânica do líquido, levando a um quadro autolimitado de desconforto respiratório.
O desconforto respiratório é uma das causas mais comuns de internação em unidades neonatais, e a Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN) é uma das etiologias mais frequentes, especialmente em recém-nascidos a termo ou próximo ao termo. Embora geralmente benigna e autolimitada, é crucial diferenciá-la de outras causas mais graves. A fisiopatologia da TTRN está intrinsecamente ligada à transição da vida intrauterina para a extrauterina. Durante a vida fetal, os pulmões estão preenchidos por líquido. No nascimento, esse líquido deve ser rapidamente reabsorvido pelos capilares e linfáticos pulmonares, e parte é expelida pela compressão torácica durante o parto vaginal. Em partos cesáreos eletivos, a ausência do trabalho de parto e da compressão torácica pode levar a um retardo nessa reabsorção, resultando em edema pulmonar transitório. O diagnóstico é clínico e radiológico. Os recém-nascidos apresentam taquipneia, gemência e batimento de aletas nasais, com melhora geralmente em 24 a 72 horas. A radiografia de tórax revela hiperinsuflação, aumento da trama vascular perihilar e líquido nas fissuras. O tratamento é de suporte, com oxigenioterapia conforme necessário. Residentes devem estar aptos a reconhecer a TTRN para evitar investigações e tratamentos desnecessários, ao mesmo tempo em que monitoram para descartar condições mais sérias.
O mecanismo mais provável da TTRN é o retardo na reabsorção do líquido pulmonar fetal pelos linfáticos e capilares pulmonares, especialmente em recém-nascidos de parto cesáreo eletivo, que não passam pela compressão torácica do parto vaginal.
A radiografia de tórax na TTRN geralmente mostra hiperinsuflação pulmonar, discreto aumento da trama vascular perihilar e, por vezes, líquido nas fissuras interlobares, sem evidência de consolidações ou broncogramas aéreos.
O parto cesáreo eletivo, sem o trabalho de parto, impede a liberação de catecolaminas e a compressão torácica que auxiliam na expulsão e reabsorção do líquido pulmonar fetal, predispondo à sua retenção e, consequentemente, à TTRN.
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