UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Recém-nascido, 34 semanas de idade gestacional, de parto cesárea por pré-eclâmpsia materna, evoluiu, com 5 minutos de vida, com taquipneia, gemência e desconforto respiratório moderado. Sobre a fisiologia da principal hipótese diagnóstica, podemos afirmar:
Gemência = Fechamento glótico na expiração para ↑ Pressão e manter alvéolos abertos (↑ CRF).
A gemência é um mecanismo de defesa onde o RN expira contra a glote parcialmente fechada, gerando uma PEEP intrínseca para compensar a má absorção do líquido pulmonar.
A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN), ou 'pulmão úmido', é a causa mais comum de desconforto respiratório no período neonatal imediato, afetando principalmente prematuros tardios e RNs a termo nascidos por cesariana eletiva. Fisiopatologicamente, ocorre um retardo na transição do epitélio pulmonar de secretor de cloreto para absorvedor de sódio. Clinicamente, manifesta-se por taquipneia (FR > 60), gemência e retrações leves a moderadas. O quadro é autolimitado, geralmente resolvendo-se em 24 a 72 horas com suporte de oxigênio de baixo fluxo ou CPAP, que mimetiza o efeito da gemência ao fornecer pressão positiva externa para manter a CRF.
A gemência expiratória é um mecanismo compensatório em que o recém-nascido realiza a expiração contra a glote parcialmente fechada (constricção da laringe). Isso aumenta a pressão nas vias aéreas ao final da expiração, funcionando como uma pressão positiva expiratória final (PEEP) fisiológica. O objetivo é aumentar a Capacidade Residual Funcional (CRF), impedindo o colapso alveolar e melhorando as trocas gasosas em pulmões com complacência reduzida ou excesso de líquido.
A eliminação do líquido pulmonar fetal começa antes do parto, influenciada por catecolaminas e hormônios que invertem o fluxo de cloro e sódio nos canais epiteliais (ENaC). Durante o parto vaginal, a compressão torácica ajuda a expelir parte do líquido. No entanto, a maior parte é removida através da absorção pelos capilares sanguíneos e pelo sistema linfático pulmonar logo após o início da respiração rítmica.
No parto cesárea, especialmente se realizado antes do início do trabalho de parto, o recém-nascido não passa pelo 'squeeze' torácico do canal de parto e, mais importante, não é exposto ao pico de catecolaminas e corticoides endógenos que sinalizam aos pulmões para interromper a secreção de líquido e iniciar a sua reabsorção ativa. Isso resulta em líquido pulmonar residual, levando à taquipneia transitória.
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