SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025
Recém‐nascido, termo, nascido de parto cesária eletiva, Apgar 1° min: 8/5° min: 9 apresentou no exame físico sinais de esforço respiratório leve, como retrações intercostais e na ausculta com estertores finos bilaterais. FR 80 irpm, afebril, FC 150 bpm, sat 95% aa. A gestação não teve intercorrências, sem ruptura precoce de membranas. Raios X de tórax com hiperinsuflação e estrias peri‐hilares. Com base nessa situação hipotética, e na hipótese diagnóstica, é correto afirmar que:
RN termo + Cesárea eletiva + Taquipneia + RX com estrias peri-hilares = TTRN.
A TTRN decorre do retardo na reabsorção do líquido pulmonar, sendo comum em cesáreas eletivas devido à ausência do 'clamping' fisiológico e hormonal do trabalho de parto.
A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN), ou Síndrome do Pulmão Úmido, é uma das causas mais frequentes de desconforto respiratório no período neonatal imediato. Sua patogênese reside na falha da transição do epitélio pulmonar de um estado secretor de cloreto para um estado absortivo de sódio, processo mediado pelos canais ENaC sob influência de catecolaminas e esteroides liberados durante o trabalho de parto. Clinicamente, manifesta-se logo após o nascimento com taquipneia (FR > 60 irpm) e sinais leves de esforço. Diferente de processos infecciosos ou da deficiência de surfactante, a TTRN apresenta uma evolução rápida e favorável. O reconhecimento precoce evita intervenções agressivas desnecessárias, como ventilação mecânica invasiva ou antibioticoterapia prolongada.
Os principais fatores incluem o parto cesáreo eletivo (sem trabalho de parto prévio), prematuridade tardia, sexo masculino, diabetes materno e asma materna. A ausência das catecolaminas e do estresse do trabalho de parto impede a ativação adequada dos canais de sódio (ENaC) que removem o líquido dos alvéolos.
O raio-X de tórax geralmente apresenta hiperinsuflação pulmonar, aumento da trama vascular, estrias peri-hilares (congestão linfática), presença de líquido nas cissuras (cisurite) e, por vezes, pequeno derrame pleural. Diferencia-se da membrana hialina pela ausência do padrão de vidro fosco e broncogramas aéreos generalizados.
O tratamento é essencialmente de suporte. Inclui oxigenoterapia suplementar (geralmente com Fração Inspirada de O2 < 40%) para manter saturação adequada, suporte nutricional e observação. A condição é benigna e autolimitada, com resolução habitual em 24 a 72 horas.
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