UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2022
Considerando-se os dados obtidos na anamnese e os possíveis diagnósticos para distúrbios respiratórios no recém-nascido (RN), numerar a 2ª coluna de acordo com a 1ª e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: (1) Febre materna ou perda de filho anterior com quadro de sofrimento respiratório. (2) Uso de anti-inflamatório não esteroide pela mãe, durante a gestação. (3) Parto cesárea em bebê com 36 semanas de idade gestacional. ( ) Taquipneia transitória do RN. ( ) Hipertensão pulmonar. ( ) Colonização por estreptococo do grupo B.
TTRN: cesárea/prematuridade tardia. HPPRN: AINEs maternos. Sepse EGB: febre materna/história prévia.
O diagnóstico diferencial do desconforto respiratório no RN é amplo e depende de fatores de risco maternos e perinatais. A taquipneia transitória do RN está associada a cesariana e prematuridade tardia, enquanto a hipertensão pulmonar persistente pode ser causada por AINEs maternos. Infecções como a por EGB devem ser suspeitadas com febre materna ou história de perdas.
Os distúrbios respiratórios são uma das principais causas de morbidade e mortalidade neonatal, e o diagnóstico diferencial é complexo, exigindo uma anamnese materna e perinatal detalhada. Condições como a Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN), a Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (HPPRN) e a sepse neonatal por Estreptococo do Grupo B (EGB) são etiologias comuns, cada uma com fatores de risco e mecanismos fisiopatológicos distintos. A TTRN é a causa mais comum de desconforto respiratório neonatal, geralmente benigna e autolimitada, associada à retenção de líquido pulmonar. Fatores como parto cesárea sem trabalho de parto e prematuridade tardia impedem a compressão torácica e a liberação de catecolaminas que auxiliam na reabsorção do líquido. A HPPRN, por outro lado, é uma condição grave caracterizada pela persistência de alta resistência vascular pulmonar, que pode ser induzida pelo fechamento prematuro do ducto arterioso devido ao uso materno de AINEs. A sepse neonatal, especialmente por EGB, é uma infecção grave que pode se manifestar com desconforto respiratório, sendo a febre materna intraparto ou história de infecção prévia importantes fatores de risco. O reconhecimento desses fatores de risco permite uma suspeita diagnóstica mais precisa e a implementação de intervenções adequadas, como suporte respiratório, antibióticos empíricos ou manejo específico da hipertensão pulmonar. Residentes devem estar atentos a esses detalhes para otimizar o cuidado ao recém-nascido com desconforto respiratório.
Os principais fatores de risco para TTRN incluem parto cesárea (especialmente eletivo sem trabalho de parto), prematuridade tardia (34-36 semanas), macrossomia, diabetes materno e asma materna. A TTRN é causada pela retenção de líquido pulmonar.
O uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) no terceiro trimestre da gestação pode levar ao fechamento prematuro do ducto arterioso fetal. Isso resulta em aumento da resistência vascular pulmonar e, após o nascimento, na persistência da circulação fetal, caracterizando a hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido (HPPRN).
Os sinais de infecção neonatal por EGB podem incluir desconforto respiratório, letargia, hipotonia, instabilidade térmica e dificuldade alimentar. Fatores de risco maternos incluem febre intraparto, colonização vaginal/retal por EGB, ruptura prolongada de membranas e história de infecção neonatal por EGB em gestação anterior.
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