UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2020
Recém-nascido de 40 semanas, parto cesáreo, adequado para a idade gestacional, Apgar 9/10, bolsa rota no ato, líquido amniótico claro, apresenta taquipneia com retrações intercostais logo após o parto. Exame físico: ausculta pulmonar sem crepitantes. RX de tórax: aumento da trama vascular pulmonar. História obstétrica: sem intercorrências. Diante do quadro, o diagnóstico é
RN a termo, cesárea, taquipneia precoce, RX com aumento de trama vascular → Taquipneia Transitória do RN.
A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN) é a causa mais comum de desconforto respiratório em RN a termo ou próximo ao termo, especialmente após parto cesáreo. É causada pela retenção de líquido pulmonar fetal e geralmente se resolve espontaneamente em 24-72 horas, com achados radiológicos típicos de aumento da trama vascular pulmonar.
A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN) é uma das causas mais frequentes de desconforto respiratório neonatal, especialmente em recém-nascidos a termo ou próximos ao termo. Sua compreensão é vital para residentes de pediatria e neonatologia, pois permite um diagnóstico diferencial preciso e evita intervenções desnecessárias. A fisiopatologia da TTRN está relacionada à retenção de líquido pulmonar fetal. Normalmente, durante o trabalho de parto e o parto vaginal, ocorre a reabsorção e expulsão desse líquido. No parto cesáreo, especialmente sem trabalho de parto, esse mecanismo pode ser prejudicado, levando ao acúmulo de líquido nos alvéolos e interstício pulmonar, causando taquipneia e desconforto respiratório. O diagnóstico é clínico e radiológico. O quadro é de taquipneia que se inicia nas primeiras horas de vida, com graus variáveis de desconforto respiratório. O RX de tórax mostra aumento da trama vascular pulmonar e, por vezes, líquido nas fissuras. O tratamento é de suporte, e a condição geralmente se resolve espontaneamente. É crucial diferenciar a TTRN de outras causas mais graves de desconforto respiratório neonatal, como síndrome de aspiração meconial, pneumonia ou doença da membrana hialina, para evitar atrasos no tratamento adequado.
Os principais fatores de risco para TTRN incluem parto cesáreo eletivo (sem trabalho de parto), diabetes materno, asma materna, macrossomia fetal e sexo masculino. O parto vaginal, ao comprimir o tórax do bebê, ajuda a expelir o líquido pulmonar, processo que é ausente na cesárea.
No RX de tórax, a TTRN tipicamente apresenta aumento da trama vascular pulmonar, congestão hilar, líquido nas fissuras interlobares e, por vezes, hiperinsuflação pulmonar. Esses achados refletem a retenção de líquido pulmonar e geralmente se resolvem em poucos dias.
O tratamento da TTRN é de suporte, incluindo oxigenoterapia se necessário para manter a saturação adequada, e suporte nutricional. A condição é autolimitada e geralmente se resolve em 24 a 72 horas, com prognóstico excelente. Raramente, pode ser necessário CPAP nasal em casos mais graves.
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