Taquipneia Transitória do RN: Diagnóstico e Manejo

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021

Enunciado

Após parto cesáreo, RN de 35 semanas de idade gestacional necessita de ventilação com pressão positiva na sala de parto. Com 30 minutos de vida, apresenta FR 80 irpm, tiragem intercostal e batimento de aletas nasais. O padrão radiológico esperado, a etiopatogenia e o tratamento para estabilização do paciente são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) hiperinsuflação pulmonar e derrame intercisural; retardo da absorção do líquido pulmonar; CPAP nasal.
  2. B) infiltrado retículo-granular difuso e broncogramas aéreos; deficiência e inativação do surfactante pulmonar; administração de surfactante.
  3. C) condensação pulmonar grosseira, atelectasia e hiperinsuflação; aspiração de mecônio; CPAP nasal.
  4. D) hiperinsuflação pulmonar e infiltrado retículo-granular grosseiro; extravazamento de ar (pneumotórax); oxigênio inalatório.

Pérola Clínica

TTRN: RN pré-termo/cesárea, desconforto respiratório, hiperinsuflação pulmonar e derrame intercisural na RX, tratamento CPAP.

Resumo-Chave

A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN) é comum em RNs de parto cesáreo ou pré-termo, devido ao retardo na absorção do líquido pulmonar. A radiografia de tórax mostra hiperinsuflação e derrame intercisural, e o tratamento é de suporte com CPAP nasal.

Contexto Educacional

A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN), também conhecida como 'pulmão úmido', é a causa mais comum de desconforto respiratório em recém-nascidos a termo ou pré-termo tardios. Sua incidência é maior em nascimentos por cesariana eletiva, pois o trabalho de parto vaginal contribui para a eliminação do líquido pulmonar fetal através da compressão torácica e alterações hormonais. A condição é geralmente benigna e autolimitada, resolvendo-se em 24 a 72 horas. A etiopatogenia da TTRN envolve o retardo na reabsorção do líquido pulmonar fetal pelos linfáticos e capilares pulmonares. Durante a vida intrauterina, os pulmões são preenchidos por um líquido secretado pelos pneumócitos. No parto vaginal, a compressão torácica e as alterações hormonais auxiliam na eliminação desse líquido. Na cesariana, esse mecanismo é prejudicado, levando ao acúmulo e consequente desconforto respiratório. O diagnóstico é clínico e radiológico. O RN apresenta taquipneia (FR > 60 irpm), tiragem intercostal, batimento de aletas nasais e gemência. A radiografia de tórax revela hiperinsuflação pulmonar, aumento da trama vascular, e frequentemente, líquido nas fissuras interlobares (derrame intercisural). O tratamento é de suporte, com oxigenoterapia e, se necessário, CPAP nasal para manter a pressão positiva nas vias aéreas e facilitar a reabsorção do líquido. Em casos graves, pode ser necessária ventilação mecânica, mas é raro e o prognóstico é excelente.

Perguntas Frequentes

Quais fatores de risco estão associados à Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN)?

Os principais fatores de risco incluem parto cesáreo eletivo (sem trabalho de parto), prematuridade tardia (34-36 semanas), macrossomia, diabetes materno e asma materna. A ausência do trabalho de parto é um fator crucial, pois ele auxilia na eliminação do líquido pulmonar.

Como a radiografia de tórax auxilia no diagnóstico da TTRN?

A radiografia de tórax na TTRN tipicamente mostra hiperinsuflação pulmonar, aumento da trama vascular pulmonar, cardiomegalia e, classicamente, derrame nas fissuras interlobares (derrame intercisural). Esses achados refletem o acúmulo de líquido nos pulmões.

Qual o tratamento inicial para um RN com TTRN?

O tratamento é de suporte, visando manter a oxigenação e ventilação adequadas. A oxigenoterapia é indicada para manter a saturação de oxigênio alvo. O CPAP nasal é frequentemente utilizado para manter a patência das vias aéreas, reduzir o trabalho respiratório e auxiliar na reabsorção do líquido pulmonar.

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