HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2020
Você é chamado ao alojamento conjunto para avaliar um recém-nascido com duas horas de vida, nascido de parto cesariano, 38 semanas e 2 dias de idade gestacional (pelo Capurro), peso de nascimento de 3.250 g e Apagar 9 e 10. Mãe relata que o recém-nascido está cansadinho e ficou roxinho. Ao exame físico: frequência respiratória de 74 irpm, sem outros sinais de desconforto respiratório e com boa atividade. Na história de parto consta presença de liquido meconial fluído, sem necessidade de manobras de reanimação neonatal. Radiografia de tórax evidencia aumento de líquido no parênquima pulmonar. O diagnóstico mais provável é
RN a termo/quase termo, cesariana, taquipneia isolada, Rx com líquido pulmonar → Taquipneia Transitória do RN (TTN).
A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTN) é comum em RNs de cesariana, devido à retenção de líquido pulmonar. Caracteriza-se por taquipneia e, por vezes, cianose leve, com boa atividade geral e ausência de outros sinais graves de desconforto, e melhora espontânea.
A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTN) é uma das causas mais comuns de desconforto respiratório neonatal, especialmente em recém-nascidos a termo ou próximo ao termo. Sua importância clínica reside na necessidade de diferenciá-la de condições mais graves, como a doença da membrana hialina ou a sepse neonatal, para evitar intervenções desnecessárias ou atraso no tratamento de patologias sérias. O histórico de parto cesariano sem trabalho de parto é um fator de risco significativo, pois o trabalho de parto vaginal contribui para a reabsorção do líquido pulmonar fetal. A fisiopatologia da TTN envolve a reabsorção tardia ou incompleta do líquido pulmonar fetal pelos linfáticos e capilares pulmonares. Isso leva a uma diminuição da complacência pulmonar e aumento da resistência das vias aéreas, resultando em taquipneia para compensar. O diagnóstico é clínico, baseado na apresentação (taquipneia, cianose leve, boa atividade) e no histórico, e confirmado por radiografia de tórax que evidencia aumento de líquido no parênquima pulmonar. A presença de líquido meconial fluído pode ser um fator de risco para SAM, mas a ausência de outros sinais de desconforto respiratório grave e a boa atividade do RN tornam a TTN mais provável neste cenário. O tratamento da TTN é de suporte, incluindo oxigenoterapia se necessário para manter a saturação adequada, e monitorização. A condição é autolimitada e geralmente resolve-se em 24 a 72 horas. O prognóstico é excelente, sem sequelas a longo prazo. É crucial, no entanto, manter um alto índice de suspeita para outras causas de desconforto respiratório, especialmente se houver piora clínica ou se a resolução não ocorrer no tempo esperado.
Os principais fatores de risco incluem nascimento por cesariana eletiva sem trabalho de parto, prematuridade tardia (próximo ao termo), macrossomia, diabetes materna e asma materna.
A TTN geralmente ocorre em RNs a termo ou próximo ao termo, com desconforto respiratório leve e melhora rápida. A DMH é mais comum em prematuros, com desconforto respiratório progressivo e grave, necessitando de suporte ventilatório.
A radiografia de tórax na TTN tipicamente mostra hiperinsuflação pulmonar, aumento da trama vascular pulmonar, líquido nas fissuras interlobares e, por vezes, derrame pleural discreto, refletindo a retenção de líquido pulmonar.
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