FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Recém-nascido (Rn) 39 semanas evoluiu com desconforto respiratório após o nascimento e necessitou de transferência para a UTI Neonatal. Na unidade, paciente apresentava frequência respiratória de 95 irpm, discreta tiragem subcostal e saturação de O₂ 94% com 2 horas de vida, sendo acoplado em CPAP bolhas. Após 1 hora, apresentou queda de saturação de O₂ até 80% com recuperação. Realizada radiografia de tórax: Qual diagnóstico mais provável?
TTN + piora súbita em CPAP → suspeitar de Pneumotórax por escape de ar.
A Taquipneia Transitória do RN (TTN) é comum em termos, mas o uso de pressão positiva (CPAP) pode predispor ao pneumotórax, especialmente se houver aprisionamento aéreo.
A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTN) é uma condição benigna e autolimitada, mas o manejo ventilatório exige cautela. O uso de CPAP de bolhas é uma ferramenta padrão para suporte respiratório, porém, a monitorização contínua é essencial. Uma queda súbita na saturação de oxigênio em um paciente previamente estável sob pressão positiva deve sempre levantar a suspeita de complicações mecânicas, como o pneumotórax. O diagnóstico diferencial entre TTN, Síndrome de Aspiração de Meconio e Doença da Membrana Hialina é fundamental, mas a sobreposição de quadros (como TTN evoluindo com escape de ar) é comum na prática da UTI Neonatal. A radiografia de tórax é o exame padrão-ouro para confirmar a presença de ar no espaço pleural e avaliar a gravidade do desvio de mediastino.
A TTN é causada pelo retardo na reabsorção do líquido pulmonar fetal. É mais comum em RNs a termo ou pré-termos tardios, frequentemente nascidos de parto cesáreo sem trabalho de parto. Clinicamente, apresenta-se com taquipneia logo após o nascimento, com melhora progressiva em 24-72 horas. O raio-X mostra congestão hilar, aumento da trama vascular e, por vezes, líquido na cisura.
Embora o CPAP ajude a recrutar alvéolos e melhorar a troca gasosa, em pulmões com líquido ou aprisionamento aéreo (como na TTN), a pressão positiva pode levar à hiperdistensão alveolar. Se a pressão exceder a complacência do tecido, ocorre a ruptura alveolar, permitindo que o ar escape para o espaço pleural, resultando em pneumotórax.
Em casos de instabilidade hemodinâmica ou queda grave de saturação (pneumotórax hipertensivo), a conduta imediata é a punção de alívio com agulha (toracentese de alívio) no segundo espaço intercostal, linha hemiclavicular, seguida pela drenagem torácica fechada em selo d'água.
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