SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Recém-nascido há 30 minutos por parto cesárea, agendado por diabetes gestacional, IG 36 semanas e 2 dias, apgar 8/8. Ao exame está taquipneico, com batimento de asas do nariz discreto, retrações intercostais e subcostais moderadas FR = 62 mrm, FC = 128 bpm, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Na radiografia de tórax há hiperinsuflação, infiltrado difuso, estrias perihilares proeminentes e presença de líquido nas fissuras interlobares, área cardíaca normal. Na gasometria arterial há hipoxemia e hipocapnia. Foi mantido em ambiente térmico neutro e com suporte respiratório por ventilação não invasiva. Evolui estável na primeira hora e com melhora discreta na segunda hora. O diagnóstico pertinente ao quadro relatado é:
TTRN = Cesárea sem trabalho de parto + Taquipneia + Rx com líquido em fissuras e estrias perihilares.
A TTRN resulta do retardo na reabsorção do líquido pulmonar fetal, sendo comum em cesáreas eletivas; apresenta curso clínico benigno e autolimitado.
A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN), também conhecida como 'pulmão úmido', é a causa mais comum de desconforto respiratório no período neonatal imediato, afetando principalmente recém-nascidos a termo ou pré-termos tardios. O principal fator de risco é o parto cesáreo sem trabalho de parto prévio, pois o 'clamping' torácico durante o canal de parto e os estímulos hormonais do trabalho de parto são cruciais para a drenagem do líquido pulmonar. Clinicamente, o RN apresenta taquipneia logo após o nascimento, podendo ter sinais leves de esforço respiratório. A gasometria frequentemente mostra hipoxemia leve e hipocapnia (devido à taquipneia). É fundamental diferenciar a TTRN de quadros mais graves como a pneumonia neonatal e a síndrome de aspiração meconial, embora a história clínica e a evolução rápida para melhora sejam marcos distintivos da TTRN.
A TTRN ocorre devido ao retardo na depuração do líquido pulmonar fetal após o nascimento. Normalmente, o trabalho de parto desencadeia um aumento de catecolaminas que inverte o fluxo de canais de sódio epiteliais (ENaC), passando de secreção para absorção de líquido. Na ausência de trabalho de parto (como em cesáreas eletivas), esse processo é ineficiente, resultando em excesso de líquido no interstício e alvéolos, o que prejudica a complacência pulmonar e gera taquipneia compensatória.
Os achados radiológicos típicos incluem hiperinsuflação pulmonar (devido ao aprisionamento de ar), aumento da trama vascular perihilar (estrias perihilares proeminentes ou 'coração peludo'), presença de líquido nas fissuras interlobares (cisurite) e, por vezes, pequenos derrames pleurais. Diferente da Síndrome do Desconforto Respiratório, a transparência pulmonar costuma estar preservada ou aumentada, e o volume pulmonar é normal ou aumentado.
O manejo é essencialmente de suporte, incluindo ambiente térmico neutro, monitorização e oxigenoterapia se necessário (geralmente frações inspiradas de O2 baixas, < 40%). Em casos moderados, o CPAP nasal pode auxiliar na redistribuição do líquido intersticial. O prognóstico é excelente, sendo uma condição autolimitada que geralmente se resolve em 24 a 72 horas à medida que o sistema linfático e vascular absorvem o líquido residual.
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