Taquipneia Transitória do RN: Diagnóstico e Manejo

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Recém-nascido, sexo feminino, acaba de ser internado na Unidade de Cuidados Intermediários Neonatais, com 2 horas de vida. Mãe de 38 anos, hígida, primigesta, sem intercorrências durante a gestação, apresentou rotura prematura de membranas ovulares e perda de líquido amniótico sem trabalho de parto. Tentada indução de trabalho de parto, sem sucesso. Nascida de parto cesárea após 24 horas de bolsa rota, prematura (36 semanas e 1 dia), posição cefálica, peso de nascimento de 2210 g, adequada para a idade gestacional, Boletim de Apgar: 7/9. Nasceu vigorosa e com choro forte, mas evoluiu com desconforto respiratório, com Boletim de Silverman-Andersan de 4 (retração intercostal moderada, retração xifóide moderada, batimento de asa nasal moderado, gemido expiratório audível com estetoscópio), sendo colocada com suporte de oxigénio. Colhidos exames com Hb: 16,7 g/dL, Ht: 58%, leucócitos: 8480 (40,5% neutrófilos, 2,5% eosinófilos, 46% linfócitos, 11% monócitos), plaquetas: 226000/microL, Proteína C reativa < 0,5 mg/L. Radiografia de tórax conforme imagem a seguir. A hipótese diagnóstica mais provável é

Alternativas

  1. A) displasia broncopulmonar.
  2. B) hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido.
  3. C) pneumonia afebril do lactente.
  4. D) síndrome do desconforto respiratório (doença da membrana hialina).
  5. E) taquipneia transitória do recém-nascido (síndrome do pulmão úmido).

Pérola Clínica

RN prematuro tardio (36s), cesárea, desconforto respiratório leve-moderado, Rx tórax com hiperinsuflação e congestão hilar → Taquipneia Transitória do RN.

Resumo-Chave

A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN) é a causa mais comum de desconforto respiratório neonatal, especialmente em prematuros tardios nascidos por cesariana sem trabalho de parto, devido à retenção de líquido pulmonar. A radiografia de tórax tipicamente mostra hiperinsuflação e congestão hilar.

Contexto Educacional

A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN), também conhecida como "pulmão úmido", é a causa mais frequente de desconforto respiratório em neonatos, especialmente aqueles nascidos por cesariana eletiva sem trabalho de parto ou prematuros tardios (34-36 semanas). A condição é benigna e autolimitada, geralmente resolvendo-se em 24 a 72 horas. A fisiopatologia da TTRN envolve a retenção de líquido pulmonar fetal. Durante o trabalho de parto vaginal, ocorre uma compressão torácica que ajuda a expelir o líquido dos pulmões, além de alterações hormonais que estimulam a reabsorção. Na cesariana sem trabalho de parto, esses mecanismos são prejudicados, levando ao acúmulo de líquido nos alvéolos e interstício, o que causa taquipneia, gemência e retrações. O diagnóstico é clínico e radiológico. A radiografia de tórax tipicamente revela hiperinsuflação pulmonar, proeminência da trama vascular pulmonar e congestão hilar. O tratamento é de suporte, com oxigenoterapia, se necessário, e monitorização. É crucial diferenciar a TTRN de outras causas mais graves de desconforto respiratório, como a Síndrome do Desconforto Respiratório (Doença da Membrana Hialina) ou sepse neonatal, para evitar intervenções desnecessárias ou atraso no tratamento adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN)?

Os principais fatores de risco incluem parto cesariana sem trabalho de parto, prematuridade tardia (34-36 semanas), macrossomia, diabetes materno e asfixia perinatal.

Como a radiografia de tórax se apresenta na TTRN?

A radiografia de tórax na TTRN tipicamente mostra hiperinsuflação pulmonar, proeminência da trama vascular pulmonar, congestão hilar e, por vezes, líquido nas fissuras interlobares.

Qual o mecanismo fisiopatológico da Taquipneia Transitória do Recém-Nascido?

A TTRN ocorre devido à falha na reabsorção adequada do líquido pulmonar fetal pelos linfáticos e capilares pulmonares, resultando em acúmulo de líquido nos espaços alveolares e intersticiais, o que compromete a troca gasosa.

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