UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2022
Recém-nascido a termo, filho de mãe diabética, pélvico, líquido amniótico meconial, nasceu de cesárea, apgar 9-10, peso = 3900 g, iniciou com taquipneia (FR = 70) desde o nascimento, sem necessidade de oxigenioterapia, mantendo saturação 95%. Hemoglucoteste = 47 mg/dL na primeira hora de vida. Raios X de tórax normais.Em relação ao diagnóstico mais provável, assinale a alternativa correta.
Taquipneia leve em RN a termo, cesariana, sem O2 e RX normal → TTRN (adaptação respiratória).
A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN) é a causa mais comum de desconforto respiratório em RN a termo ou pré-termo tardio, especialmente após cesariana, devido à retenção de líquido pulmonar. O quadro é geralmente leve, autolimitado e o RX de tórax pode ser normal ou mostrar hiperinsuflação e líquido nas fissuras.
A Taquipneia Transitória do Recém-Nascido (TTRN), também conhecida como 'pulmão úmido' ou síndrome da adaptação respiratória, é a causa mais comum de desconforto respiratório em recém-nascidos a termo ou pré-termo tardios. É caracterizada por taquipneia que se inicia logo após o nascimento e geralmente se resolve espontaneamente em 24 a 72 horas. A fisiopatologia envolve a retenção de líquido pulmonar fetal devido a uma absorção tardia ou incompleta, especialmente em nascimentos por cesariana sem trabalho de parto, que impede a compressão torácica e a liberação de catecolaminas que auxiliam na reabsorção. Fatores de risco incluem cesariana eletiva, prematuridade tardia, macrossomia e diabetes materna. O diagnóstico é clínico, com taquipneia leve a moderada, sem necessidade de oxigenioterapia ou com baixa demanda, e boa saturação. O raio-X de tórax pode ser normal ou mostrar hiperinsuflação, aumento da trama vascular e líquido nas fissuras. É crucial diferenciá-la de condições mais graves como a Síndrome de Aspiração Meconial (SAM) ou a Doença da Membrana Hialina (DMH), que geralmente apresentam desconforto mais intenso e alterações radiológicas mais significativas. O manejo da TTRN é de suporte, com monitorização, oferta de oxigênio se necessário e, em casos mais graves, suporte ventilatório não invasivo. A condição é autolimitada e o prognóstico é excelente. A presença de líquido amniótico meconial, embora seja um fator de risco para SAM, não implica em SAM se o RN nasce vigoroso e com boa adaptação, como no caso descrito (Apgar 9-10).
Os principais fatores de risco incluem nascimento por cesariana eletiva (sem trabalho de parto), prematuridade tardia, macrossomia, asma materna e diabetes materna, que podem dificultar a reabsorção do líquido pulmonar fetal.
O raio-X de tórax pode ser normal ou mostrar hiperinsuflação pulmonar, aumento da trama vascular pulmonar e líquido nas fissuras interlobares, com cardiomegalia discreta, indicando retenção de líquido.
SAM cursa com desconforto respiratório mais grave, hipoxemia e alterações radiológicas mais significativas (infiltrados grosseiros, atelectasias, hiperinsuflação). A TTRN é mais leve, com boa saturação e RX menos alterado, e geralmente autolimitada.
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